IBC-Br indica crescimento menor do PIB no 2º trimestre, avaliam economistas

Em geral, analistas falam sobre estagnação da atividade econômica e chegam a citar possibilidade de recessão técnica

Fernando Travaglini, Francisco Carlos de Assis, Gustavo Porto , Agência Estado

13 de junho de 2014 | 12h30

A alta de 0,12% em abril ante março do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a queda anual de 2,29% e outros indicadores econômico já referentes a maio mostram que a economia caminha para uma outra leitura fraca do desempenho do Produto Inter Bruto (PIB) no segundo trimestre, segundo economistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

No primeiro trimestre deste ano, o PIB cresceu 0,2% na comparação com o último trimestre de 2013, segundo o IBGE.

O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank (Besi Brasil), Flávio Serrano, espera uma taxa próxima de zero para o PIB do segundo trimestre, mas que pode ficar negativa ou positiva dependendo do comportamento do varejo em maio e junho já que a indústria anda mostrando desempenho fraco.

"Os dados referentes ao mês de abril sugeriam uma atividade estagnada. Afinal, a indústria recuou 0,3% e o varejo ampliado cresceu 0,6%", disse Serrano. Ainda de acordo com ele, mesmo com uma recuperação no segundo semestre o PIB deve crescer apenas 1,2% em 2014.

Na visão do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o indicador do Banco Central confirma uma "relevante desaceleração da atividade". Segundo ele, começa a fazer sentido a discussão sobre uma eventual recessão técnica no País.

Opinião semelhante tem o Bradesco, para quem a queda do IBC-Br de abril na comparação interanual é compatível com a expectativa do banco de desaceleração do PIB no segundo trimestre deste ano.

"Levando em conta a queda do indicador na comparação interanual e considerando-se outros indicadores coincidentes referentes a abril e maio, continuamos acreditando que o PIB do segundo trimestre apresentará desaceleração ante o período anterior", diz o banco em relatório para clientes.

A avaliação do diretor de pesquisa econômica da GO Associados, Fabio Silveira, é de que o resultado do IBC-Br de abril ante março de 2014 mostra que "economia está estagnada e assim ficará no primeiro semestre". Silveira afirmou que mesmo com a revisão feita no IBC-Br de março ante fevereiro, de queda de 0,11% para alta de 0,04%, o cenário é de dificuldade para uma reação da economia na primeira metade de 2014.

"O juro real começou 2014 muito alto e pesou nos primeiros meses deste ano, o que dificultou consumidores e empresas, com operações encarecendo para os dois lados", disse Silveira.

O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, mantém sua visão de que a economia brasileira está estagnada. Para ele, o número de abril reforça a percepção de que o PIB do segundo trimestre será baixo.

"Os dados do IBC-Br sempre muito próximos de zero mostram uma economia estagnada. Não é uma catástrofe, mas mostram a dificuldade de a economia decolar", diz Leal. O economista não espera que a taxa de crescimento do segundo trimestre seja negativa, mas prevê uma retração no terceiro trimestre. Segundo ele, o PIB agrícola, que tem peso importante no número cheio, deve sofrer com a quebra de safra do café da ordem de 10% em função da seca. Para o ano, Leal projeta expansão de 1,2% para o PIB.

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