Sergio Perez/Reuters-28/11/2006
Sergio Perez/Reuters-28/11/2006

Iberdrola compra a Elektro por R$ 4 bi

Aquisição da oitava maior distribuidora de energia do País reforça posição do grupo espanhol no setor

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2011 | 00h00

O grupo espanhol Iberdrola anunciou ontem a compra da distribuidora brasileira de eletricidade Elektro por US$ 2,4 bilhões (quase R$ 4 bilhões), em um acordo com o grupo americano Ashmore Energy International (AEI).

Com a operação, a AEI transfere para a Iberdrola 99,68% do capital social da Elektro e 99,97% do capital votante da concessionária. A empresa atende 2,1 milhões de clientes de 223 cidades do Estado de São Paulo e cinco de Mato Grosso do Sul.

No total, a companhia é responsável por 11,5% da energia elétrica distribuída no Estado de São Paulo. Antes de ser adquirida pela Ashmore, em 2006, a Elektro pertencia à americana Enron, que passou por um processo de falência, em 2001.

A conclusão do negócio entre Ashmore e Iberdrola ainda depende do cumprimento de determinadas condições estabelecidas no contrato e das aprovações regulatórias, entre elas a autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Brasil. Apesar disso, a expectativa é que o processo seja aprovado em um prazo de seis meses.

Para o grupo espanhol, o negócio tem caráter estratégico. A compra da Elektro se encaixa perfeitamente com a atual posição da empresa de ampliar o crescimento internacional em mercados com maior potencial, como Estados Unidos, Brasil, Reino Unido e México, a fim de diversificar ainda mais sua presença geográfica.

Nesse sentido, ao comprar os ativos da Ashmore no Brasil, a Iberdrola, presidida por Ignacio Sánchez Galán, reforça a sua posição no setor elétrico brasileiro. A empresa europeia integra o bloco de controle da companhia Neoenergia, ao lado do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ) e do BB Investimentos. A Neoenergia é acionista majoritária das distribuidoras de energia Cosern, no Rio Grande do Norte; Celpe, em Pernambuco; e Coelba, na Bahia.

Além disso, a Neoenergia tem ativos de geração e transmissão nas regiões Nordeste e Sudeste, e também atua em comercialização de energia e novos negócios. Recentemente, a empresa venceu o leilão da Hidrelétrica de Teles Pires, de 1.820 megawatts (MW) e que custará R$ 3,3 bilhões. A empresa também teve participação relevante no segundo leilão de energia eólica realizado no Brasil, em 28 de agosto do ano passado.

Negociações. Segundo fontes, antes mesmo do acordo entre a Iberdrola e a Ashmore, a Neoenergia já havia iniciado conversas para adquirir a Elektro, oitava maior distribuidora do Brasil e a terceira maior do Estado de São Paulo. O interesse na aquisição causou certo desconforto entre os acionistas da empresa, já que a Previ também é acionista da CPFL, outra interessada na compra da Elektro.

Outra companhia no páreo era a estatal Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que há anos tenta entrar no mercado paulista. Todas elas queriam ampliar a participação no setor de distribuição no País. Mas, pelos dados da Aneel, apenas a CPFL ou a americana AES,que também andou sondando os ativos da Elektro, garantiria a liderança do setor se fechasse a compra.

Hoje, a maior empresa na área de distribuição é a Cemig - incluindo-se os ativos da distribuidora Light, que atende o Rio de Janeiro. Agora, com a aquisição das ações pela Iberdrola, a Neoenergia encosta na Cemig.

O negócio anunciado ontem é mais um de uma série de grandes negócios feitos no setor de energia elétrica, que passa por uma grande consolidação no mundo inteiro. Na semana passada, por exemplo, a americana Duke Energy chegou a um acordo para comprar a Progress Energy por US$ 13,7 bilhões em ações, criando a maior empresa de energia dos Estados Unidos.

No Brasil, o último grande negócio foi a venda de uma séria de empresas de transmissão, de controle dos espanhóis, para a chinesa State Grid, em um acordo de cerca de R$ 1,8 bilhão. "Quem está dentro não quer sair e quem está fora só vai entrar se pagar múltiplos elevados", afirma um analista de mercado.

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