Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Volume de serviços no País ficou estável em maio ante abril, aponta IBGE

Dentre os destaques na série com ajuste sazonal, setores de informação e comunicação tiveram crescimento de 1,7% no período e transportes sofrem queda de 0,6%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 10h57

RIO - O setor de serviços ficou estacionado em maio. O volume de serviços prestado teve crescimento zero ante abril, revelou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho até foi um pouco melhor do que o esperado pela média dos analistas de mercado – que previam queda de 0,30%, conforme pesquisa do Projeções Broadcast –, mas economistas mantiveram o cenário de economia estagnada no segundo trimestre.

“Os serviços vieram melhores do que o esperado, mas é um dado melhor em um oceano de resultados piores. Seriam necessários vários dados positivos para mudar essa percepção”, disse a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour.

Assim como visto na produção industrial e nas vendas do varejo, o quadro é de interrupção na trajetória de recuperação da atividade verificada até o fim do ano passado. Segundo o gerente da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, Rodrigo Lobo, a alta de 0,5% em abril ante março e a estabilidade em maio não anularam a queda de 1,6% no acumulado de janeiro a março. Com isso, o nível de atividade do setor de serviços ainda está 1,1% abaixo do registrado em dezembro último.

Na visão do pesquisador do IBGE, a atividade de transportes é a principal responsável pelo desempenho ruim. Em maio, esse segmento recuou 0,6% ante abril, e, nos cinco primeiros meses do ano, foram quatro taxas negativas na comparação com os meses imediatamente anteriores.

“Boa parte do menor ritmo do setor de serviços está bastante ligada ao menor dinamismo do setor de transportes, que está ligado ao menor dinamismo da atividade econômica como um todo”, afirmou Lobo.

A economista-chefe da Rosenberg Associados, Thaís Zara, destacou que o segmento de transporte segue apresentando dificuldades por conta da sua forte correlação com a indústria. O desempenho dos serviços de transportes serve como “termômetro” da atividade econômica, porque responde à demanda das outras empresas em seus negócios.

“O subsetor de transportes, termômetro relevante do nível de atividade econômica, voltou a se destacar negativamente (queda de 0,6% ante abril), mesmo após um fraco desempenho no primeiro trimestre no qual acumulou perda de 3,0% em relação ao final de 2018”, diz um relatório divulgado pela Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A expectativa da maioria dos economistas é que haja aceleração no ritmo da economia neste segundo semestre. O relatório da CNC ressalta que “o encaminhamento favorável na aprovação da reforma da Previdência deverá abrir espaço na agenda do governo para a adoção de medidas de estimulem a economia no curto prazo”. A entidade projeta alta de 1,6% no volume de serviços prestados neste ano, o que seria a primeira alta anual desde 2014.

Na comparação com maio de 2018, o bom desempenho dos serviços chamou atenção, mas foi contaminado por uma fraca base de comparação, já que a greve dos caminhoneiros, no ano passado, atingiu em cheio o setor. Por causa disso, a alta de 4,8% no volume de serviços prestados ante maio de 2018 foi a maior nessa base de comparação desde fevereiro de 2014, quando o avanço foi de 7,0%. Também foi a maior alta interanual para meses de maio na série histórica da PMS, iniciada em 2012.

Segundo Lobo, do IBGE, o efeito da greve dos caminhoneiros fica claro quando se observa o comportamento dos transportes, ainda mais atingidos pelos bloqueios nas estradas. Em maio, o volume de serviços de transportes avançou 5,7% ante maio de 2018, quando fora registrado um tombo de 7,6% em relação a igual mês de 2017. No segmento de transportes terrestres, o efeito é ainda mais intenso, já que houve alta de 10,1% no volume de serviços prestados em maio ante maio de 2018.

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