IBGE: cenário mostra tendência na alta da ocupação

Os dados do mercado de trabalho metropolitano em novembro mostram uma estabilidade em relação ao cenário de outubro, "com tendência no aumento da ocupação e queda na desocupação", segundo avalia o gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. A taxa de desemprego de 7,4% apurada pelo instituto no mês passado é a menor para meses de novembro desde o início da série da pesquisa, em 2002.

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

18 de dezembro de 2009 | 11h21

Faltando apenas os dados de dezembro para o fechamento da pesquisa de emprego de 2009, Azeredo considera que o principal efeito da crise sobre o mercado de trabalho foi "uma desaceleração do forte crescimento do emprego e da qualidade do emprego que ocorreu em 2008". Segundo ele, "ainda há reflexos da crise no mercado de trabalho". "Para dissipar esses efeitos leva um tempo, desfazer postos é mais rápido do que recompor."

Segundo o gerente, o bom desempenho de 2008 acabou tornando mais brandos os efeitos da crise. "Como vínhamos de uma situação muito confortável, não houve efeito muito forte da crise no mercado de trabalho, mas houve desaceleração no crescimento do emprego", explica.

Azeredo lembra que, antes do início dos efeitos da crise na economia brasileira, no fim do ano passado, a expectativa era de continuidade, em 2009, do ritmo de avanços ocorridos em 2008 no emprego e na formalidade. Ainda segundo ele, a principal ilustração das perdas que ocorreram com a crise está no nível de ocupação (porcentual de ocupados na população com de 10 anos ou mais de idade), que passou, no que diz respeito à média do período de janeiro a novembro, de 52,4% em 2008 para 52,0% em 2009. "Essa queda não é favorável, é um dos efeitos da crise, essa diferença de 0,4 (ponto porcentual) é expressiva", disse.

De qualquer modo, gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE considera positivos os resultados da pesquisa em novembro. "Apesar da estabilidade, a geração de 98 mil postos de um mês para o outro e a redução de 40 mil desocupados mostra números muito interessantes", avalia.

Rendimentos

No que diz respeito ao rendimento dos trabalhadores, o gerente da pesquisa destacou que a renda média real de R$ 1.353,60 apurada em novembro de 2009 é a maior, para um mês de novembro, desde o início da série. Ainda segundo ele, na média de janeiro a novembro, a renda média chega a R$ 1.347,83 em 2009, com crescimento de 3,4% em relação a igual período do ano passado. "Há um forte efeito do salário mínimo nesse crescimento. Não é possível dizer que a crise não afetou a renda, porque não dá para saber de quanto seria o aumento se não houvesse a crise", afirmou.

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