IBGE: desemprego de janeiro é o menor para o mês

A taxa de desemprego de 7,2% apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no mês passado foi a menor para um mês de janeiro na série histórica do instituto, iniciada em 2003. O número de ocupados nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em 21,6 milhões em janeiro, com queda de 1,0% ante dezembro de 2009, mas aumento de 2,1% na comparação com janeiro de 2009. Já o número de desocupados (sem trabalho e procurando emprego) totalizou 1,69 milhão, com aumento de 6,0% ante dezembro e queda de 10,7% ante janeiro do ano passado.

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

25 de fevereiro de 2010 | 10h32

Os resultados do mercado de trabalho metropolitano em janeiro foram marcados por resultados históricos positivos, segundo salientou o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo. Além da taxa de desemprego (7,2%) ter sido a menor da série para um mês de janeiro, foi também a segunda menor de toda a série, levando em consideração todos os meses pesquisados, perdendo apenas para dezembro do ano passado (6,8%). "O cenário econômico está bastante favorável e isso está refletindo nos resultados do mercado de trabalho", afirmou.

Ele argumentou ainda que o aumento no número de desocupados que ocorre sazonalmente em janeiro ante dezembro, com a dispensa de funcionários temporários contratados no final do ano anterior, foi o menor para o mês, em janeiro de 2010 (6%), desde 2006. Em janeiro do ano passado, por exemplo, o aumento nesse indicador havia chegado a 20,6%. "Aumentar o número de desocupados em janeiro é natural, sazonal, o diferencial é quanto isso aumenta e esse crescimento menor de janeiro deste ano mostra um cenário favorável para o mercado de trabalho, traz uma boa expectativa", disse.

Azeredo destacou ainda que o número de desocupados nas seis regiões registrado em janeiro deste ano (1,69 milhão) é o menor para um mês de janeiro na série histórica. "O volume de dispensas que ocorrem em janeiro está relacionado ao desenvolvimento econômico, se a economia vai bem há menos demissões de temporários", afirmou. Outro exemplo do bom desempenho do mercado de trabalho citado por Azeredo é o aumento no número de trabalhadores com carteira assinada, que subiu 0,7% em janeiro ante dezembro de 2009 e teve alta de 3,5% na comparação com janeiro de 2009. Das 451 mil vagas geradas em janeiro deste ano, comparativamente a igual mês do ano passado, 333 mil foram vagas formais.

O gerente sublinhou que, segundo os dados de janeiro, fica claro que o mercado de trabalho "deslanchou" após manter uma certa estabilidade, no ano passado, em relação aos avanços de 2008. "Agora o mercado voltou a avançar", disse. No entanto, Azeredo pondera que, como poderão ocorrer novas dispensas de temporários em fevereiro e março, sobretudo na região metropolitana do Rio de Janeiro, onde as contratações para o turismo são fortes nessa época, será preciso aguardar os próximos meses para checar se a evolução do emprego vai prosseguir positiva como ocorreu em janeiro. "Sazonalmente a taxa de desemprego sobe em fevereiro, precisamos aguardar para checar o quanto deverá subir", disse.

Setores

Apesar do bom desempenho do mercado de trabalho em janeiro, a indústria prosseguiu em processo de cortes de trabalhadores, segundo Azeredo. Ele considera a queda de 2,2% no número de trabalhadores industriais nas seis principais regiões metropolitanas do País em janeiro, ante dezembro de 2009, como o pior dado da pesquisa divulgada hoje. Na comparação com janeiro de 2009, o número de vagas na indústria recuou 1,6%.

O comércio, como ocorre sazonalmente nessa época do ano, teve queda de 1,8% no número de ocupados em janeiro ante dezembro, com a dispensa de temporários, mas registrou resultado positivo (0,4%) na comparação com janeiro de 2009. O único segmento a registrar aumento no número de vagas em todas as comparações em janeiro foi o de serviços prestados às empresas (bancos, consultorias, serviços de limpeza), com alta de 2,1% ante dezembro e aumento de 4,9% ante janeiro do ano passado.

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