IBGE deve enfrentar greve na segunda-feira

Até ontem, segundo sindicato dos servidores, 13 das 32 unidades do órgão haviam aderido à paralisação; saída da presidente é uma das reivindicações

DANIELA AMORIM / RIO, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h05

Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmaram a adesão à greve no órgão a partir de segunda-feira, 26. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE-SN) informou que as assembleias regionais já aprovaram a convocação de paralisação em 13 das 32 unidades no País.

Por enquanto, a greve está confirmada no Rio, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Paraíba, Alagoas, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Novas assembleias regionais serão realizadas até terça-feira, para mobilizar e votar a adesão de servidores ao movimento grevista nas demais filiais. No Estado do Rio, que concentra metade dos funcionários do órgão, três das cinco unidades já anunciaram adesão à paralisação.

O IBGE não se manifesta oficialmente sobre a greve, mas comunicou que as divulgações de indicadores previstas para os próximos dias estão mantidas, entre elas a das Contas Nacionais Trimestrais na próxima sexta-feira, 30, que mostrarão os resultados do PIB no primeiro trimestre de 2014.

Segundo Ana Magni, diretora da Executiva Nacional do ASSIBGE, os dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre já estão praticamente prontos para divulgação, portanto não é possível afirmar que o anúncio do indicador possa ser prejudicado pela greve. "Risco existe (de a greve atrapalhar a divulgação do PIB), mas esse é um dado que já está praticamente pronto", disse.

O sindicato afirma ainda que a próxima divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) será assegurada pelos próprios grevistas, mas que o andamento das outras pesquisas pode ser afetado. "Não sabemos se a greve terá impacto na divulgação das próximas pesquisas. Vai depender da mobilização dos funcionários, do alcance da adesão, da disposição do governo de nos chamar para conversar e negociar", contou Ana.

Os grevistas reivindicam a saída imediata da atual presidente do IBGE, Wasmália Bivar, dos membros do Conselho Diretor e dos chefes de unidade com mais de quatro anos no cargo. Os servidores também criticam a contratação de trabalhadores temporários e pedem concurso público para preenchimento de mais de quatro mil vagas, além de valorização salarial ao mesmo patamar que órgãos como Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários.

Embate. O desgaste entre a direção do IBGE e servidores começou em 10 de abril, quando Wasmália anunciou a suspensão até janeiro de 2015 do calendário de divulgações da Pnad Contínua, que mostra a taxa de desemprego em todo o Brasil. O objetivo era aprimorar o cálculo da renda domiciliar para atender a exigências da lei complementar que determina o indicador como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados. No entanto, houve suspeitas de ingerência externa no órgão, porque a decisão foi motivada por questionamentos de senadores.

A crise provocou o pedido de desoneração de duas diretoras, e 18 coordenadores ameaçaram uma entrega coletiva de cargos. Após semanas de discussões, a direção do IBGE voltou atrás e decidiu manter a próxima divulgação, prevista para 3 de junho.

Em 2012, uma greve de servidores do IBGE prejudicou por alguns meses a divulgação da taxa de desemprego apurada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange as seis principais regiões metropolitanas do País. A análise dos dados de Salvador e do Rio de Janeiro não ficou pronta a tempo de cumprir o calendário da pesquisa, por conta da paralisação dos trabalhos.

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