IBGE diz que aceleração da taxa de desemprego foge do padrão de outros anos

Segundo o IBGE, o normal é o desemprego aumentar no primeiro trimestre e interromper a alta no primeiro trimestre

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

20 de agosto de 2015 | 10h42

A aceleração no ritmo de crescimento da taxa de desemprego no mês de julho chama a atenção, já que foge do padrão verificado em anos anteriores, afirmou a técnica Adriana Beringuy, da Coordenação de Trabalho e Rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo ela, a taxa costuma crescer no primeiro trimestre, quando trabalhadores temporários contratados para as festas de fim de ano são dispensados, mas a tendência de alta é interrompida após os três primeiros meses do ano.

"Chama a atenção a aceleração da taxa, que não se interrompeu depois do primeiro trimestre. A taxa não ficou estável, continuou crescendo, a ponto de continuar sendo muito maior do que no ano passado", afirmou Adriana. Em julho, a taxa de desemprego chegou a 7,5%, um avanço de 0,6 ponto porcentual em relação ao mês anterior. Uma diferença mensal nessa magnitude só foi observada no início deste ano. Em relação a julho do ano passado, a alta foi de 2,6 pontos porcentuais, a maior já vista na série.

"Isso ocorre pelo aumento da desocupação. O que provavelmente está acontecendo é que as pessoas sentem mais necessidade de buscar emprego", explicou a técnica. Segundo ela, a queda na renda tem um peso importante nessa decisão. Em julho ante igual mês do ano passado, o rendimento médio dos trabalhadores caiu 2,4%, a sexta queda consecutiva nesta comparação.

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'Há uma procura crescente por trabalho, que está sendo puxada tanto por pessoas que estão saindo do mercado de trabalho quanto por pessoas que antes estavam na população inativa' - Adriana Beringuy, técnica do IBGE
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"O rendimento do trabalho é o que mais pesa no rendimento de um domicílio. Se está havendo redução no rendimento do trabalho e pessoas sendo demitidas, o rendimento do domicílio como um todo é afetado. Esse é o principal motivo para que pessoas que não estavam pressionando o mercado de trabalho, principalmente jovens, por motivos de estudo, agora passem a fazê-lo", disse Adriana.

Procura por emprego. O avanço da taxa de desemprego no mês de julho, tanto na comparação mensal quanto anual, foi influenciado pelo crescimento da população desocupada, reforçou Adriana. Segundo ela, tanto demitidos quanto pessoas que antes não procuravam emprego têm determinado esse aumento. "Há uma procura crescente por trabalho, que está sendo puxada tanto por pessoas que estão saindo do mercado de trabalho quanto por pessoas que antes estavam na população inativa", disse Adriana.  

Em julho, a população desocupada cresceu 56% em relação a igual mês do ano passado, o maior avanço já registrado na série da pesquisa. Ao todo, 662 mil pessoas engrossaram a fila do desemprego no período de um ano. Já a população inativa, que era um destaque em 2014 por trazer alívio à taxa de desemprego, vem apresentando números bem mais tímidos ao longo de 2015. "A população inativa não está crescendo como no ano passado", afirmou Adriana.

Segundo a técnica do IBGE, há um número cada vez maior de pessoas procurando trabalho, mas essa busca não tem se refletido em aumento da ocupação, pelo contrário. "A ocupação está tendendo a cair", disse. Em julho, a população ocupada recuou 0,9% em relação a igual mês do ano passado, a maior queda para o mês na série da PME. Ao todo, 206 mil pessoas perderem o emprego no período.

Jovens. Os jovens estão exercendo uma pressão acentuada no mercado de trabalho, afirmou Adriana. Até o ano passado, muitos deles preferiam não buscar emprego para priorizar os estudos. Agora, com a queda na renda e pessoas sendo demitidas no domicílio, eles estão tendo de ir atrás de uma vaga, explicou Adriana.

"Os jovens estão exercendo uma pressão bastante acentuada no mercado de trabalho. As outras pessoas também, mas eles de maneira mais intensa", disse a técnica. Em julho de 2014, a população inativa entre jovens de 18 a 24 anos cresceu 10,8% frente a igual mês do ano anterior. Já no mês passado, houve queda anual de 4,4% nessa faixa etária. "Os jovens eram os que antes estavam influenciando mais a inatividade. Agora, essa inatividade dos jovens está em queda", notou.

Nas faixas etárias de 15 a 17 anos e de 25 a 49 anos, a população não economicamente ativa também migrou de altas em 2014 para quedas em 2015, uma evidência de que há mais pessoas engrossando as filas de desemprego. Mas esse movimento é mais intenso entre os jovens, levando a taxa de desocupação entre as pessoas de 18 a 24 anos a saltar a 18,5% em julho, segundo o IBGE. Há um ano, essa taxa era de 12,9%. 

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