IBGE: efetivação de temporários foi menor em janeiro

O mercado de trabalho em janeiro deste ano mostrou um "nível de efetivação menor", na comparação com janeiro de 2010, informou hoje o gerente da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Ele fez a avaliação ao comentar a evolução da população ocupada no primeiro mês deste ano, na comparação com igual mês do ano anterior.

ALESSANDRA SARAIVA, Agencia Estado

24 de fevereiro de 2011 | 10h58

Segundo ele, a população ocupada mostrou uma queda de 1,6% em janeiro ante dezembro do ano passado, o que refletiu em parte a dispensa de trabalhadores temporários no período. Este recuo representou 370 mil pessoas fora do mercado de trabalho no período. No entanto, ao se analisar a evolução da população ocupada de dezembro de 2009 para janeiro de 2010, a queda na população ocupada, que normalmente ocorre devido à dispensa dos temporários, foi menos intensa, de 1%.

Na avaliação do especialista, ao se avaliar as duas quedas, é possível dizer que houve um ritmo de contratação maior dos temporários de dezembro de 2009 para janeiro de 2010 do que em dezembro de 2010 para janeiro de 2011. Azeredo lembrou que no primeiro trimestre do ano passado a economia estava mais aquecida, em recuperação após os efeitos negativos sofridos em 2009 devido à crise global. Ele não quis dizer, no entanto, se houve uma razão específica para este nível de efetivação menor no início de 2011. Na análise do especialista, é preciso esperar o término do primeiro trimestre e avaliar mais profundamente os resultados.

Mas ele não descartou a possibilidade de a inflação e as novas expectativas que cercam um novo governo terem influenciado o resultado. "Vamos aguardar para ver. Mas este menor ritmo no nível de efetivação não preocupa. Isso porque outros indicadores que interessam no mercado de trabalho, como emprego com carteira assinada e rendimento, continuam bastante favoráveis em janeiro", afirmou.

Rendimento real

O rendimento médio real (descontada a inflação) dos trabalhadores em janeiro deste ano, que foi de R$ 1.538,30 nas seis principais regiões metropolitanas do País, foi o mais elevado valor para o mês da série histórica da PME, iniciada em março de 2002. O gerente da PME, Cimar Azeredo, destacou que, mesmo com o avanço da inflação nos últimos meses do ano passado e no começo deste ano, o trabalhador brasileiro mostrou saldo positivo na renda, com altas de 0,5% na renda em janeiro deste ano ante dezembro de 2010 e aumento de 5,3% ante janeiro de 2010.

Para o especialista, os aumentos apurados na renda do trabalhador refletem a saída dos trabalhadores temporários do mercado de trabalho, de dezembro de 2010 para janeiro de 2011. Ele explicou que este tipo de trabalhador ganha menos que um já efetivado, o que puxa para baixo a média dos ganhos. "Mesmo com o avanço da inflação, a renda aumentou devido à retirada destes trabalhadores temporários do mercado de trabalho", resumiu.

Formalização

Mesmo com o recuo de 1,6% da população ocupada no mercado de trabalho em janeiro deste ano ante dezembro de 2010, o porcentual de empregados com carteira assinada no setor privado dentro população ocupada manteve trajetória crescente, subindo de 47% para 47,4% de dezembro para janeiro.

Para Azeredo, isso significa que, apesar do recuo na população ocupada no mercado de trabalho, a trajetória da formalização continua crescente no País. "Creio que é importante destacar que o recuo na população ocupada não representou uma interrupção na trajetória de crescimento da formalização no mercado de trabalho", ressaltou.

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