IBGE: estímulos evitaram crise no comércio em 2009

As medidas de estímulo ao consumo adotadas pelo governo durante a crise mundial ajudaram o comércio a manter o crescimento em 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto divulgou hoje a Pesquisa Anual do Comércio, referente a 2009. O levantamento é dividido em três categorias: comércio varejista, comércio por atacado e comércio de veículos automotores, peças e motocicletas.

DANIELA AMORIM, Agencia Estado

29 de junho de 2011 | 10h47

A pesquisa computou 1,570 milhão de unidades de revenda, relativas a 1,466 milhão de empresas comerciais. A receita operacional líquida foi de R$ 1,6 trilhão no ano. Cerca de 8,8 milhões de trabalhadores ocupados receberam R$ 95,1 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações ao longo de 2009.

Embora a pesquisa não mostre uma comparação com o ano anterior, o pesquisador Guilherme Telles, do IBGE, conta que não houve variação significativa em termos nominais ou de estrutura no comércio em 2009. "O que você nota é uma trajetória razoavelmente constante de crescimento. Havia um cenário internacional muito pouco favorável para o segmento, mas o governo tomou imediatamente medidas para impulsionar o consumo e minimizar o impacto da crise", disse Telles. "Então a crise nem chegou a afetar o comércio no Brasil".

Em 2009, havia 158,7 mil empresas de comércio por atacado, uma fatia de 10,8% entre as empresas de comércio do País. No entanto, essas empresas registraram receita operacional líquida de R$ 677,8 bilhões, o correspondente a 43% do total da receita comercial. No último dia do ano, o setor empregava 1,486 milhão de pessoas, 16,9% do total, que receberam R$ 25,3 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações (26,6% do total pago pelo comércio). A margem de comercialização, que representa a diferença entre a receita líquida de revenda e o custo das mercadorias revendidas, atingiu R$ 121,3 bilhões, 36,7% do montante total.

Já o comércio varejista, composto por 1,2 milhão de empresas (79,4% do montante geral), teve receita operacional líquida de R$ 661,1 bilhões (41,9% do total). Aproximadamente 6,459 milhões de pessoas estavam ocupadas no setor, o que corresponde a 73,4% da força de trabalho do comércio em geral. O varejo gastou R$ 58,9 bilhões em salários e outras remunerações, 61,9% do total pago, e a margem de comercialização somou R$ 172,5 bilhões (52,2% do total), o maior retorno relativo por unidade de produto vendida.

O terceiro setor pesquisado pelo IBGE, o de comércio de veículos automotores, peças e motocicletas, somou R$ 238,5 bilhões de receita líquida, 15,1% do total. Cerca de 143,5 mil empresas (9,8% do total) empregaram 855,5 mil pessoas (9,7% do total) e pagaram R$ 10,9 bilhões em salários e remunerações (11,5% do total). Essas empresas registraram uma margem de comercialização de R$ 36,9 bilhões, 11,1% do total.

Segundo Telles, houve crescimento, em termos nominais, de pessoal ocupado e no número de empresas. "Não tenho o dado de qual era o crescimento esperado para o comércio em 2009, mas houve um crescimento. As medidas do governo, como a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), deram certo no resultado final, porque não houve nenhuma redução nos números desses segmentos, nem no varejo nem no atacado. Pelo contrário, o resultado de cada um contribuiu para um resultado positivo geral", afirmou.

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