Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

IBGE faz análise 'de elevador', diz presidente

Chefe do instituto critica técnicos por não fazerem projeções com base nos dados divulgados

Fernanda Nunes, Márcio Dolzan, Impresso

05 de dezembro de 2016 | 23h23

RIO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se posiciona como um “monge”, na visão do seu presidente, Paulo Rabello de Castro. Ao ‘Broadcast’, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, ele criticou a postura do corpo técnico da casa, que não faz projeções com base nos dados que divulga, e contou ser “um pouco censurado” pelos diretores por agir de forma diferente.

“Passo em frente, porque é preciso ilustrar os dados”, afirmou, complementando ser “bizantino demais que os técnicos possam fazer análise de elevador”, ao se aterem às explicações “por que os indicadores sobem ou descem”.

Para o presidente, a equipe “tem de relaxar”, porque o importante, em sua opinião, é “não produzir (inventar) dados”. E, mesmo se atendo a analisar a movimentação dos indicadores, os técnicos não deixam de ser, frequentemente, parciais, segundo Rabello.

Nesta segunda-feira, 5, pela manhã, ele divulgou um discurso escrito, lido em parte, no qual previu que, pelos números divulgados nos últimos dias, “ainda não é possível visualizar, com alguma segurança, quando e com que vigor sairemos do nevoeiro da recessão econômica e do abismo do desemprego recente”.

Essas projeções, porém, foram suprimidas da sua fala durante a palestra de abertura de evento em comemoração dos 80 anos do instituto. Ao lado do ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, ao qual é subordinado, preferiu não incluir em sua palestra as previsões desanimadoras, por considerar enfadonho esse trecho do discurso.

“Ao ler, à tarde, o que escrevi para minha mãe de 98 anos, uma intelectual, senti que ela deu uma piscadinha nessa parte. Minha namorada também não gostou”, afirmou ao Broadcast.

Tradicionalmente, os porta-vozes do IBGE não comentam o que projetam com base nos dados que divulgam porque acreditam que, assim, preservam a credibilidade do instituto. Mas essa opinião não é compartilhada por Rabello. Bem-humorado e adepto de frases de efeito, ele comentou, por exemplo, a suposta pressão que o governo vem sofrendo para substituir o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “Trocar de Henrique não resolve. Temos é de enriquecer”, afirmou. Rabello ainda elogiou o Ministério do Planejamento e disse estar satisfeito com o orçamento destinado ao IBGE.

O sindicato que representa os servidores do instituto, o ASSIBGE, classificou como “uma afronta” as declarações. A diretora do sindicato acusa Rabello de defender o governo e não o IBGE, e diz que cronogramas de pesquisas, como o censo agropecuário, estão atrasados por problemas de orçamento.

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