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IBGE faz balanço do século passado

O Brasil aumentou em cem vezes o Produto Interno Bruto (PIB) e multiplicou por 10 a população durante o século passado. A publicação Estatísticas do Século 20, que está sendo lançada na tarde desta segunda-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que o PIB do País equivalia a cerca de R$ 1 bilhão em 1900, para uma população de 17,4 milhões de pessoas e, em 2000, chegou a R$ 1 trilhão para 169,6 milhões de brasileiros.A distribuição de renda, no entanto, piorou no período. Ainda de acordo com a publicação, em 1960, a renda total dos 10% mais ricos era 34 vezes maior que a dos 10% mais pobres. Trinta anos depois, a diferença havia crescido para 60 vezes. A desigualdade foi ampliada apesar de o PIB per capita do brasileiro ter crescido quase 12 vezes de 1901 a 2000, com uma média de 2,5% ao ano, passando do equivalente a R$ 516 para R$ 6.060. O desempenho só foi superado por poucas economias no mundo, como Japão, Taiwan, Finlândia, Noruega e Coréia. InflaçãoA inflação acumulada no século foi de 1.113.694.017.907.650.000%, segundo dados divulgados pelo IBGE. As oscilações de preços marcaram o cotidiano dos brasileiros ao longo do século 20. A taxa oficial de inflação, que não ultrapassou 12% ao ano nos primeiros 30 anos do século, chegou a 1.000% nos anos 80, forçando a população a contas diárias de muitos dígitos.Apesar das altas taxas registradas ao longo do século, a inflação esteve controlada tanto no início quanto no final do período. Em 1902, atingiu 6%, após deflação de 17,8% em 1901. Em 2000, foi de 8,6%. A taxa média anual de inflação nos cem anos foi de 45,2%. Nos últimos 20 anos, até agosto último, a taxa acumulada foi de 2,08 trilhões por cento.Dependência externa é históricaA publicação Estatísticas do Século revelou ainda que o Brasil consolidou a característica de devedor externo no século 20 e, no que diz respeito ao setor externo, diversificou suas relações comerciais com o mundo. A dívida externa brasileira era de US$ 291,6 milhões em 1901 e ao final do século, atingia US$ 236 bilhões, ou seja, cresceu 810 vezes no período.O responsável pela análise do setor externo na publicação do IBGE, economista Jorge Chami, ressaltou que, no início do século passado, o total da dívida externa equivalia a uma vez e meia o valor das exportações e, ao final do século, era equivalente a mais de quatro vezes o valor das vendas externas totais do Brasil. Nas exportações, a participação do Brasil nas vendas externas mundiais oscilou entre 1,5% a 2% ao longo de cem anos, mantendo-se estável nesse patamar até o momento.Aspecto socialAs Estatísticas do Século do IBGE revelam avanços na educação brasileira. Em 1920, 65% dos brasileiros de 15 anos ou mais não sabiam ler e escrever. Em 2000, o índice era de 13%. A urbanização fez aumentar o número de alunos, de escolas, de professores e de universidades. Apesar de todo avanço, o Brasil ainda tem 15,5 milhões de brasileiros analfabetos e 35 milhões de analfabetos funcionais, aqueles que não completaram a quarta série do ensino fundamental.A publicação do IBGE analisa o século 20 em mais de 500 páginas e traçou a evolução da sociedade brasileira em vários aspectos, como religião, cultura, saúde, educação, economia, justiça e segurança pública. A análise dos dados foi feita com a colaboração de pesquisadores convidados pelo IBGE. Veja a íntegra do estudo no link abaixo.

Agencia Estado,

29 de setembro de 2003 | 15h29

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