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IBGE: indústria pecuária tem 2º pior resultado em 12 anos

Crise global provocou queda de 3,5% na produção da indústria pecuária no primeiro semestre deste ano

Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

13 de agosto de 2009 | 16h42

A crise global provocou uma queda de 3,5% na produção da indústria pecuária no primeiro semestre deste ano. Embora tenha sido bem menor do que a queda da indústria geral no período, de 13,4%, foi a segunda mais intensa para a indústria pecuária em 12 anos, e muito próxima ao pior resultado, ocorrido no primeiro semestre do ano passado, quando caiu 3,6%. É o que mostra levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito a pedido da Agência Estado.

 

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De acordo com o levantamento, a produção da indústria pecuária acumula queda de 2,7% nos últimos 12 meses até junho, a mais forte em cinco anos. Exportadores e frigoríficos já classificam 2009 como "o ano perdido" para o setor. É possível que a pecuária só volte a mostrar desempenho equivalente aos de seus melhores anos somente em 2011.

 

Para especialistas, o setor já vinha passando por ajustes antes do acirramento da crise financeira, em setembro do ano passado. O gerente do departamento de pecuária do IBGE, o engenheiro agrônomo Otávio Costa Oliveira, lembra que em 2003 e 2004 houve um grande abate no número de matrizes, o que provocou, nos anos seguintes, redução no rebanho brasileiro. Em 2006, o número de cabeças de gado mostraria a primeira queda, de 0,6%, após nove anos seguidos de crescimento, totalizando 205,9 milhões de cabeças. Esse número caiu 3% em 2007, para 199.752.014 cabeças de gado. "O abate de matrizes é um fenômeno cíclico, ocorre de tempos em tempos", explicou o técnico. Isso ajudou a diminuir gradativamente a oferta de animais para abate. Somente no primeiro trimestre deste ano, houve queda de 11,1% no abate de bovinos (6,446 milhões de cabeças), a pior em três anos.

 

Mas a brusca queda nas exportações, provocada pela crise a partir do fim do ano passado, intensificou os fatores negativos já existentes no setor, além de acrescentar novos problemas. "Já havia uma crise de oferta, que vem desde 2007; mas a crise global trouxe outra crise, a crise da demanda, o que afetou ainda mais o cenário", disse Oliveira.

 

O economista da coordenação da Indústria do IBGE, Fernando Abritta, lembrou também que a redução das exportações acabou deslocando produtos que seriam exportados para o mercado interno. Isso acabou gerando uma queda nos preços da carne. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), os preços dos bovinos no atacado acumulam queda de 34,79% nos seis primeiros deste ano. "Nós do IBGE não fazemos previsão, mas na minha opinião, a pecuária é um setor que tem recuperação lenta. Demanda um tempo do nascimento do novilho até seu abate", afirmou Abritta.

 

Na prática, a crise global acabou por potencializar prejuízos em toda a cadeia da pecuária. A escassez na oferta de crédito, causada pela crise, levou a uma queda brusca no capital de giro de exportadores e de empresários do ramo de frigoríficos. Somente esse ano, quatro frigoríficos entraram em processo de recuperação judicial, em um universo que abrange 2.500 empresas, sendo o mercado concentrado em 100 grandes companhias.

 

O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, comentou que a crise das matrizes e a crise global levaram a um cenário nunca antes visto para o setor de frigoríficos, que atualmente trabalha com capacidade ociosa de 30%. "Já foi maior, em torno de 40%. Mas é preciso dizer que 30% ainda é um porcentual muito alto", alertou. "É como se tivéssemos levado um soco muito grande, e assim caímos no chão. Agora estamos começando a levantar e tomar consciência do que aconteceu", disse. "Mas para nós, 2009 é um ano perdido. A partir de 2010 é que vamos começar a nossa retomada", afirmou.

 

As consequências negativas também podem ser vistas na área de exportações, que abrangem em torno de 25% do total da produção brasileira, de 2,2 milhões de toneladas. O diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Otávio Cançado, revelou que a entidade trabalha com a hipótese de as exportações de carne encerrarem o ano de 2009 em queda, tanto em receita quando em volume, pela primeira vez em dez anos. Ele comentou, porém, que o cenário em meados deste ano é de recuperação para as vendas externas. "Tivemos uma queda de 52% nas exportações de carne em janeiro de 2009, ante janeiro de 2008, e isso deixou todo mundo assustado. Mas o ritmo da queda das exportações tem diminuído ao longo do ano", disse, acrescentando que o patamar de queda nas vendas externas já diminuiu bastante em julho, para 27%, ante igual mês do ano passado. "A partir de 2010 vamos recomeçar a exportar fortemente. Não sei se será equivalente aos recordes que tivemos, mas teremos grandes chances de bons resultados no ano que vem", afirmou.

 

Para o analista da Scot Consultoria, Fabiano Tito Rosa, a pecuária vai começar a mostrar resultados excelentes, em toda a sua cadeia, somente em 2011. Na análise do economista, o segundo semestre de 2009 será "menos pior" para a cadeia do setor. Porém, a recuperação plena e sustentável do setor depende de que ocorram, simultaneamente, a retomada firme da oferta de crédito para capital de giro dos frigoríficos; reposição do rebanho brasileiro; e um câmbio atrativo para os exportadores. "Acho que demora um tempo até a recuperação plena do setor ocorrer", afirmou.

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