IBGE mostra a fragilidade do setor de serviços

Responsável por mais de dois terços do PIB, o setor de serviços caiu 4% entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016, segundo o IBGE. A queda teria sido maior não fossem fatores episódicos, como as férias e a realização dos shows da banda de rock Rolling Stones em São Paulo, Rio e Porto Alegre. Foi o que admitiu o economista Roberto Saldanha, do IBGE, ao explicar por que o item Outros Serviços Prestados às Famílias avançou 6,4% entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016 – uma exceção entre os resultados negativos apurados.

O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2016 | 03h00

Nenhum dos cinco grupos de atividade de serviços apresentou números positivos seja na comparação entre os meses de fevereiro de 2015 e 2016, nos últimos 12 meses ou entre os primeiros bimestres dos dois anos. A queda foi menos expressiva na comparação entre os meses de dezembro e janeiro (nos dois meses, o resultado foi de -5% sobre igual mês de 2015) e fevereiro de 2016. Mas em termos reais houve recuo de 8% em relação ao ano passado, calcula o assessor econômico da FecomercioSP, Fabio Pina.

Não há sinais para justificar recuperação rápida. Em vista do aumento do desemprego e da deterioração da renda, as alternativas para consumir mais serviços seriam endividar-se (o que é temerário dado o juro elevadíssimo) ou sacar reservas (com o risco de insolvência no curto ou médio prazos). Não basta um aumento da confiança.

Em fevereiro, entre os raros subitens que mostraram fôlego estão serviços técnico-profissionais (jurídicos, contábeis, de auditoria, perícias, publicidade e propaganda e pesquisas de mercado, entre outros), além de transportes aquaviário e aéreo e atividades turísticas – no caso, o mais importante é que se trata de área intensiva em mão de obra.

A maior queda ocorreu no item Outros Serviços (-6,1% entre fevereiro de 2015 e fevereiro de 2016). Nele estão as atividades imobiliárias (intermediação, gestão e administração de imóveis próprios e de terceiros); manutenção e reparação; serviços auxiliares financeiros; serviços auxiliares da agricultura; esgoto e serviços de coleta, tratamento e disposição de resíduos e recuperação de materiais.

O comportamento do setor de serviços não pode ser visto isoladamente, pois depende da indústria, do comércio, da agricultura, do setor financeiro e do setor público. Mas sendo o principal tomador de mão de obra, seu ritmo de atividade reflete a situação em que vive a maioria da população.

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