IBGE muda cálculo do INPC e do IPCA e reduz peso do Rio e de SP

Para a coordenadora de Índices de Preços do órgão, Eulina Nunes, impacto no resultado deverá ser pequeno

ALEXANDRE RODRIGUES , FRANCISCO CARLOS DE ASSIS, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2011 | 03h05

A atualização das estruturas de pesos dos principais indicadores de inflação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem em nota técnica pelo órgão, reduziu o peso de Rio e São Paulo, mas não deve impactar significativamente os resultados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A avaliação foi feita ontem pela coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, em entrevista ao Estado, mas o mercado já especula sobre o impacto da mudança nos índices. "A nova composição não é muito diferente da atual, no nosso ponto de vista", disse Eulina.

Cálculos preliminares da economista da MCM Consultores Basiliki Litvac indicam que o IPCA poderá sofrer redução de 0,20 ponto porcentual a partir de janeiro, quando a nova estrutura de ponderações vai incorporar os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009. A atual é baseada na POF 2002-2003. Com isso, a previsão da MCM para o IPCA em 2012 cairá de 6% para 5,8%.

Basiliki ainda não avaliou os novos pesos detalhadamente, mas percebeu que a educação, um dos componentes do segmento de serviços que tem pressionado a inflação, perdeu peso relativo. Eulina disse não ter visto alterações significativas entre os mais de 300 itens que sejam capazes de alterar substancialmente os valores do IPCA.

A atualização provocou pequenas alterações nos pesos das 11 regiões metropolitanas pesquisadas, mas sem alterar a atual hierarquia entre as capitais. No IPCA, o peso de São Paulo caiu de 33,1 para 31,68 e o do Rio, de 13,7 para 12,46. Brasília manteve 3,4, enquanto Belo Horizonte subiu de 10,8 para 11,2. Recife de 4,1 para 5,05. Salvador de 6,9 para 7,35 e Goiânia de 3,7 para 4,4.

No caso do INPC, o peso de São Paulo caiu de 25,6 para 25,2 e o do Rio de 10,2 para 9,9. Brasília subiu de 2,2 para 2,39 e Fortaleza de 6,4 para 6,6. Já Belo Horizonte caiu de 11,1 para 11,04. A soma dos pesos das 11 capitais é equivalente a 100.

Com a atualização, o limite superior do universo pesquisado pelo INPC caiu de 6 para 5 salários mínimos, cujo valor nominal mais do que dobrou entre 2003 e 2009. Já o universo do IPCA continua a ser as famílias chefiadas por assalariados com renda de 1 a 40 salários mínimos.

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