IBGE não será transigente com vazamento, diz presidente

Instituto convoca coletiva para tratar de rumores de que há vazamento das informações de indicadores

Jacqueline Farid e Alessandra Saraiva, da Agência Estado,

11 de outubro de 2007 | 16h55

O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, convocou entrevista coletiva nesta quinta-feira, 11, para comentar as suspeitas de que estaria havendo vazamento de informações de dados conjunturais. "Se há prática de irregularidade, o IBGE não será transigente", disse.   Durante toda o evento, Nunes destacou a denúncia específica de um economista de um banco de que teria tomado conhecimento da possibilidade de acesso a dados do INPC, por meio de uma corretora, 48 horas antes da divulgação oficial do IBGE.   Ele disse ainda que quem compra informações também está cometendo crime. "Se alguém corrompeu, fornecendo a informação é porque alguém foi corrompido, fica claro até onde podem ir aqueles que querem ganhar dinheiro a qualquer custo".   Segundo Nunes, nem os coordenadores das pesquisas conjunturais têm acesso aos dados com 48 horas de antecedência, já que normalmente os dados são calculados com prazos muito apertados e não estão prontos com tanta antecedência.   O presidente do IBGE defendeu todo o tempo os funcionários do Instituto, e diante da pergunta de um jornalista se haverá investigação sobre os rumores dentro do IBGE respondeu: "investigar o quê? Quem fez a denúncia?"   Prazo   Nunes afirmou que há pelo menos um mês vem discutindo com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, uma alteração na Portaria de nº 167, de 5 de setembro de 2003, que determina o envio dos dados das pesquisas conjunturais do Instituto com 24 horas de antecedência à divulgação ao público para o ministério. Segundo ele, o objetivo é preparar uma portaria que substitua a atual para encurtar o tempo de intervalo entre o envio de informações e a sua divulgação para o público.   Ele disse que um dos argumentos usados pelo IBGE é que 24 horas representa um período muito longo já que o prazo é muito apertado para os técnicos que nem sempre concluíram as informações dentro desse prazo. "Além do mais, não achamos adequado tanto intervalo de tempo entre a hora da divulgação e a precedência "do envio ao Ministério".   Nunes explicou que o envio de dados ao Ministério é feito por meio eletrônico e documento impresso aos cuidados do ministro ou de seu assessor imediato. Ainda de acordo com ele, o prazo ideal para o IBGE seria enviar os resultados ao Ministério do Planejamento no final do dia anterior ao da divulgação ou na manhã do dia em que são apresentados os dados.   "Duas horas e 24 horas são práticas usuais em instituições no mundo inteiro, não há regra única", disse. O prazo de duas horas de envio das informações a diversos órgãos do governo foi determinado pelo governo Fernando Henrique Cardoso em dezembro de 1999 e em 2003 foi publicada nova portaria, ainda em vigor, que determina as 24 horas de antecedência exclusivamente para o Planejamento.   Na quarta-feira, o ministro Paulo Bernardo rebateu, com veemência, os boatos que circulam pelas mesas de operadores e tesourarias sobre suposto vazamento de informações de indicadores do IBGE.   Texto atualizado às 17h28

Tudo o que sabemos sobre:
IBGEvazamento de informações

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.