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IBGE prepara POF anual para apoiar pesquisas de IPCA e PIB

Nova pesquisa do órgão atualizará anualmente a estrutura de ponderações dos índices de preços

Adriana Chiarini, da Agência Estado,

12 de agosto de 2009 | 11h10

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara uma simplificação da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), que terá periodicidade anual. A intenção é que esta versão mais básica, que os técnicos estão denominando de "contínua", seja publicada nos intervalos de divulgação da POF completa, feita a cada cinco anos.

 

"Estamos fazendo a simplificada mais para os índices de preços e as Contas Nacionais", disse à Agência Estado o coordenador da POF, Edílson Nascimento. A nova pesquisa vai atualizar anualmente a estrutura de ponderações dos índices de preços, inclusive a do oficial para as metas de inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

O mesmo ajuste anual com base na nova POF será feito em relação à estimativa de consumo das famílias nas pesquisas das Contas Nacionais, sobre o Produto Interno Bruto (PIB). A POF continuará trazendo subsídios para as modificações de cinco em cinco anos. O consumo das famílias responde tradicionalmente por cerca de 60% do PIB visto pela ótica da demanda.

 

A nova POF ajudará ainda na construção da base de dados e indicadores sobre pobreza e desigualdade. De acordo com Nascimento, a POF simplificada deve ser institucionalizada na versão anual depois do Censo Demográfico de 2010, "provavelmente a partir de 2011". Entre fevereiro e junho deste ano foram aplicados os questionários do projeto piloto da POF simplificada em 4.292 domicílios distribuídos por sete Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

 

O teste de campo foi feito aproveitando o último trimestre da pesquisa de campo para a POF completa 2008/2009. "Estamos prevendo o grosso dos resultados (da POF completa 2008/2009) para o primeiro trimestre do ano que vem", contou Nascimento. Por enquanto, ainda não há resultados sobre o piloto. Nascimento disse que o IBGE tem um compromisso com o Banco Mundial, parceiro no projeto, de ter um relatório pronto sobre a POF simplificada no final do ano.

 

Diferenças

Há diferenças substanciais entre a POF completa e a simplificada. O consumo efetivo, por exemplo, só será verificado na versão completa. Para a versão simples, foram escolhidos 346 produtos, sendo 76 de alimentação e 270 não-alimentícios, dentre os 4.230 produtos e 12.348 registros que participam da versão completa.

 

Um dos critérios usados para a seleção foi incluir itens da estrutura dos índices de preços. Os mais frequentes produtos também foram selecionados.

 

"Estamos buscando adequar toda a estrutura dos índices de preços, mas os itens podem estar mais agregados em grupos para dar rapidez, senão não adianta. A simplificada vai ter, por exemplo, alguns cortes de carne bovina de mais peso abertos, mas não todos", disse Nascimento.

 

Em relação à POF completa, há redução do inventário de bens duráveis das famílias verificado pelos pesquisadores de 32 para 23 itens e mudanças de alguns deles. Impressora e aquecedor de ambiente entraram na lista. Saíram máquina de costura, rádio, processador de alimentos, grill, aspirador de pó, batedeira de bolo, secador de cabelo e máquina de lavar louça. Outros itens foram agregados.

 

No inventário de bens duráveis da POF simplificada, além dos dois itens já mencionados, ficaram fogão, freezer, geladeiras de uma e duas portas, chuveiro elétrico, liquidificador, ferro elétrico, forno elétrico, forno de micro-ondas, máquina de lavar roupa, filtro ou purificador de água, TV, aparelho de DVD, antena parabólica, equipamento de som, ar condicionado, ventilador ou circulador de ar, automóvel, motocicleta e bicicleta.

 

Foram excluídos da versão anual os locais de compra e as quantidades e medição em geral, informou o coordenador da POF. Também não se pede característica dos medicamentos. Os resultados da pesquisa por regiões também serão mais limitados. Na pesquisa contínua, não haverá resultados rurais e nem para regiões metropolitanas e municípios da capital.

 

Os resultados do projeto piloto vão servir para a apuração metodológica da pesquisa simplificada. Nos testes de campo foram usados três modelos de questionário relacionados a trabalho e rendimento individual e um deles será escolhido com base nos dados recolhidos. Uma das opções de listas de perguntas é como a da POF, mas com redução de 113 para 45 tipos de rendimento. O segundo tipo era baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) contínua, também realizada pelo IBGE, e um terceiro é ainda mais simplificado.

 

Uso do tempo

O IBGE prepara também projeto piloto de uma pesquisa de uso do tempo, a primeira do tipo no Brasil. Esses levantamentos são feitos com base em cadernetas onde o indivíduo pesquisado anota o que faz, com os horários. Por isso, essas pesquisas são conhecidas como "diários de tempo".

 

Esse tipo de pesquisa mostra o trabalho não remunerado. Identifica o tempo gasto com deslocamentos, estudos, tarefas domésticas, cuidados pessoais e com outros integrantes da família, com saúde e esportes, entre outros. Essa investigação também ajuda a identificar atividades como formas de lazer e utilização de informação tecnológica.

 

Como na POF simplificada, os testes de campo deste ano devem ajudar a definir a metodologia das pesquisas de uso do tempo para que, após o Censo do ano que vem, elas sejam realizadas com abrangência nacional e periodicamente.

 

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) apoiam a pesquisa de uso do tempo e esperam que ela gere informações que sirvam de base para a implementação de políticas públicas. Com os resultados da PNAD, o IBGE já comprovou que, em casa, a mulher trabalha muito mais que o homem, mesmo entre casais onde os dois exercem atividade profissional.

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