José Patrício/Estadão
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IBGE prevê nova safra recorde em 2016, com destaque para soja, café e feijão

Produção deve somar 210,7 milhões de toneladas, alta de 0,5% em relação a 2015

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

12 de janeiro de 2016 | 09h53

A safra brasileira deve somar 210,7 milhões de toneladas em 2016, segundo o 3º Prognóstico de Safra deste ano, divulgado nesta terça-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado significa aumento de 0,5% em relação à produção de 2015.

O montante ainda é 0,7% maior que o segundo prognóstico, divulgado no mês passado, com 1,1 milhão de toneladas a mais. O indicativo é de que o País terá nova safra recorde neste ano.

No ano passado, foram produzidas 209,5 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, segundo o Levantamento Sistemático de Produção Agrícola (LSPA) de dezembro, que fecha os resultados de 2015. O dado representa alta de 7,7% ante 2014 (15 milhões de toneladas). Em relação ao levantamento de novembro, trata-se de recuo de 0,4%, com 746,5 mil toneladas a menos.

As perspectivas para o clima em 2016 devem ser mais favoráveis à safra de grãos, afirmou Mauro Andreazzi, gerente da Coordenação de Agropecuária do IBGE. Com um regime de chuvas mais próximo da normalidade, a safra de verão, que representa cerca de 70% do total produzido no País, deve ter bom desempenho neste ano.

"O Sul está com excesso de chuva, Centro-Oeste atrasou um pouco o plantio, mas agora parece estar normal. No Nordeste, ainda são projeções, o início da safra é mais para janeiro e fevereiro. O El Niño está influenciando, mas acredito que será um ano melhor de chuvas do que em 2015", disse Andreazzi.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também prevê que o Brasil deve produzir uma nova safra recorde, de 210,5 milhões de toneladas de grãos. O volume representa 1,4% a mais do que a safra anterior (ou mais 2,8 milhões de toneladas).

Área colhida. De acordo com o IBGE, o País deve colher 58,552 milhões de hectares na safra de grãos em 2016. A área será 1,5% maior do que a colhida em 2015, de 57,7 milhões de hectares. O levantamento da safra colhida em 2015 ficou menor entre novembro e dezembro devido a perdas na produção de trigo, informou o IBGE. Na passagem do mês, a produção recuou 11,6%, para 5,425 milhões de toneladas.

Com isso, a safra de trigo, que seria recorde segundo levantamentos anteriores, ficou 13,4% menor do que a colhida em 2014. "Pelo segundo ano seguido, a produção brasileira de trigo foi afetada pelo excesso de chuvas durante a fase final do ciclo das lavouras", apontou o IBGE.

O Rio Grande do Sul, segundo maior produtor do cereal, viu sua colheita encolher 26,9% entre novembro em dezembro. A produção também minguou em Santa Catarina (-35,3%), São Paulo (-11,1%) e Paraná (-2,8%). Diante dos resultados, o Paraná, maior produtor, terá safra 12,7% menor do que no ano passado, assim como Rio Grande do Sul.

Soja. A produção de soja neste ano deverá sustentar um novo recorde para o grão, com 102,747 milhões de toneladas, alta de 5,9% em relação a 2015, apontou o IBGE. A alta, segundo o órgão, é resultado da valorização da saca de soja no mercado interno. Será a primeira vez que essa produção romperá a barreira de 100 milhões de toneladas.

"Apesar de os preços internacionais da soja estarem em declínio, a alta valorização do dólar frente ao real faz com que os preços internos sejam maiores do que os encontrados na safra passada", disse o IBGE.

A produção total de café também deve crescer em 2016, para 2,984 milhões de toneladas, um avanço de 12,5% em relação ao ano passado. O café arábica é o principal responsável pela expansão (+15,6%, para 2,3 milhões de toneladas), embora o café robusta também indique aumento na produção ante 2015 (+3,3%, para 684,2 mil toneladas).

Também deve ter expansão no volume colhido o feijão de primeira safra, com 1,565 milhão de tonelada (alta de 16,7% em relação ao ano passado).

Por outro lado, a produção de milho primeira safra deve encolher 4,6% em 2016, para 28,111 milhões de toneladas, apontou o IBGE. A queda, segundo o órgão, é consequência da valorização da soja, que é concorrente direto por área. Essa estimativa ainda é 2,4% menor do que a verificada no segundo prognóstico deste ano, divulgado em novembro.

Outras quedas devem ser verificadas no algodão herbáceo, com 3,936 milhões de toneladas (-4,5% ante 2015), e no arroz em casca, com 11,893 milhões de toneladas (-3,4%).

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