Wilton Júnior/ Estadão
Wilton Júnior/ Estadão

IBGE revisa alta do PIB de 2019 de 1,4% para 1,2%, sob impacto da tragédia de Brumadinho

Mudança nos dados anuais aconteceu principalmente no desempenho da indústria extrativa, que passou de queda de 0,9% para um tombo de 9,1%

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2021 | 15h52

RIO - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2019 cresceu menos do que o estimado anteriormente: a alta passou de 1,4% para 1,2%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Sistema de Contas Nacionais. A estimativa anterior tinha como base as Contas Nacionais Trimestrais, revisada em novembro de 2020, na divulgação do PIB do terceiro trimestre do ano passado. 

Dados sobre o desempenho da indústria extrativa, por causa dos impactos do rompimento da barragem de rejeitos minerais da Vale em Brumadinho (MG), foram os principais responsáveis pela revisão.

Em 2019, o PIB somou R$ 7,389 trilhões, antes de a economia ser atingida pela crise causa pela covid-19. O PIB per capita foi de R$ 35.161,70, uma alta de 0,4% em relação a 2018.

Nos dados definitivos calculados pelo Sistema de Contas Nacionais, o crescimento do PIB de 2019 se deu com um avanço de 0,4% na agropecuária, uma queda de 0,7% na indústria e um crescimento de 1,5% nos serviços.

Segundo o IBGE, a revisão, com os dados anuais, se deu, principalmente, no PIB da indústria, por causa da “incorporação de novos dados sobre o impacto econômico do rompimento da barragem de Brumadinho”, operada pela mineradora Vale, em Minas Gerais. O rompimento ocorreu em janeiro de 2019. Com os novos dados, o IBGE revisou o desempenho do PIB da indústria extrativa de uma queda de 0,9% para um tombo de 9,1%. “O impacto dessa revisão sobre a taxa de crescimento do Valor Adicionado Bruto da Indústria foi de -1 ponto porcentual”, diz a nota divulgada nesta sexta-feira, 5, pelo IBGE.

Pela ótica da demanda, o consumo das famílias cresceu 2,6% em 2019, o consumo do governo caiu 0,5% e a formação bruta de capital fixo (FBCF) avançou 4,0%. A taxa de investimento ficou em 15,5% do PIB, 0,4 ponto porcentual acima da de 2018.

Ainda sob a ótica da demanda, as exportações de bens e serviços apresentaram crescimento nominal de 1,8%, enquanto as importações de bens e serviços saltaram 9,4%. Com isso, o saldo externo de bens e serviços da economia brasileira registrou evolução negativa, passando de um superávit de R$ 27,6 bilhões, em 2018, para um déficit de R$ 47,6 bilhões, em 2019. 

“Contribuiu também para a piora na necessidade de financiamento da economia o aumento líquido do envio de rendas de propriedade ao resto do mundo, que passou de R$ 195,7 bilhões em 2018, para R$ 199,1 bilhões, em 2019”, diz a nota do IBGE.

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