IBGE revisa PIB de 2010 e 2011 e resultado pode melhorar números de 2014

Crescimento de 2011 passou de 2,7% para 3,9% e o de 2010, de 7,5% para 7,6%; novo cálculo melhora a base para anos posteriores e pode reverter resultado negativo previsto por analistas

Daniela Amorim, Idiana Tomazelli, Vinícius Neder, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2015 | 10h10

(Atualização às 12h10)

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve expansão de 3,9% em 2011, segundo revisão divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 11. Diferente do crescimento de 2,7% registrado anteriormente, o resultado melhora a base de cálculo para os anos posteriores e pode livrar o País da recessão. A expansão da economia em 2010 foi revista de 7,5% para 7,6%. 

Em valores correntes, o resultado de 2011 saiu de R$ 4,143 trilhões para R$ 4,374 trilhões; o PIB de 2010 foi revisto de R$ 3,770 trilhões para 3,886 trilhões. Em valores per capita, em 2011, o resultado passou de R$ 20.998,00 para R$ 22.162,00; em 2010, de R$ 19.285,00 para R$ 19.882,00. As taxas de poupança passaram de 17,2% para 19,4% em 2011, e de 17,5% para 19,2% em 2010. A diferença é resultado na mudança no cálculo das Contas Nacionais, que passam a incorporar recomendações internacionais.

A revisão da taxa de crescimento em 2011 foi significativa por ter incorporado a mudança na metodologia mas também porque tinha sido calculada tendo como base apenas as Contas Nacionais Trimestrais, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Não tem só a mudança metodológica, tem também o impacto da revisão de dados que a gente faz no (PIB) anual", afirmou.

Segundo ela, o PIB de 2011 estava defasado porque foi calculado sobre uma base antiga, com informações apenas trimestrais, e que não tinham sido ajustadas retroativamente (como os PIBs de 2012 e 2013, por exemplo) pela entrada dos dados da nova Pesquisa Mensal de Serviços e da reformulação da Produção Industrial Mensal - Produção Física. "Especialmente a (taxa) de 2011, o impacto é maior", disse Rebeca.

O IBGE reajustou ainda a série histórica até o ano 2000. Os resultados das Contas Nacionais Trimestrais até 2014 sob a nova metodologia serão divulgados em 27 de março. Segundo a última pesquisa Focus, do Banco Central, divulgada na segunda-feira, 9, analistas preveem uma contração de 0,66% para a economia em 2014. O resultado, que será divulgado no fim do mês,  pode melhorar com o novo padrão adotado pelo instituto.

Em novembro, o órgão publica as revisões definitivas para as contas anuais de 2012 e 2013. O trabalho de reformulação das Contas Nacionais levou três anos para ser concluído. A nova fórmula adotada pelo IBGE para medir os resultados de 2010 e 2011 passa a contabilizar como investimentos os aportes em pesquisa e exploração mineral, e não mais como despesas. Entenda as mudanças no cálculo.

Além da nova metodologia, os dados divulgados nesta quarta-feira também são definitivos, incorporando pesquisas estruturais anuais mais atualizadas. Tradicionalmente, o PIB definitivo é divulgado pelo IBGE com dois anos de defasagem. O último dado definitivo divulgado foi referente ao ano de 2009. 

Setores. O IBGE considerou que a revisão da série do PIB brasileiro não impactou significativamente a participação das atividades sob a ótica da produção. "Houve uma pequena redução na participação da Agropecuária e da Indústria e o consequente aumento dos Serviços", ressaltou o órgão, em nota à imprensa.

A participação da agropecuária no PIB de 2011 foi revista de 5,5% para 5,1%, enquanto a da indústria diminuiu de 27,5% para 27,2%. Já a participação dos serviços aumentou de 67,0% para 67,7%.

Em relação ao PIB de 2010, a participação da agropecuária foi revista de 5,3% para 4,9%, enquanto a da indústria diminuiu de 28,1% para 27,4%. A participação dos serviços teve elevação de 66,6% para 67,8%.

De 2001 a 2011, a taxa média anual de crescimento do PIB da agropecuária passou de 4,0% para 4,1%; a do PIB da indústria aumentou de 2,7% para 3,1%; enquanto a do PIB de serviços saiu de 3,6% para 3,7%. "Quem teve a maior revisão na série inteira foi a indústria. E um dos motivos foi a construção, que a gente reformulou a série inteira", apontou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Sob a metodologia antiga, o cálculo do valor adicionado da construção levava em conta os custos dos insumos. Na nova série, as contas para o segmento levam em consideração a evolução dos insumos mas também o crescimento real das remunerações no setor. "Isso teve impacto positivo na série", disse Rebeca.

O PIB da indústria inclui a indústria extrativa; indústria de transformação; energia elétrica, gás, água, esgoto e limpeza urbana; além da construção civil.



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