Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Safra 2022 deve alcançar recorde de 258,9 milhões de toneladas, estima IBGE

Resultado estimado é de 5,7 milhões de toneladas a mais que o desempenho de 2021

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2022 | 09h46
Atualizado 07 de abril de 2022 | 13h24

RIO - A produção agrícola brasileira deve totalizar um recorde de 258,9 milhões de toneladas em 2022, 5,7 milhões de toneladas a mais que o desempenho de 2021, um aumento de 2,3%. O País deve ter as maiores colheitas já vistas para o milho e o trigo. No entanto, a projeção tem diminuído a cada mês, devido a prejuízos à lavoura provocados por problemas climáticos.

Os dados são do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de março, divulgado nesta quarta, 7, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A expectativa de março para a produção nacional de grãos em 2022 é 2,7 milhões de toneladas inferior ao previsto em fevereiro, um recuo de 1%. “Em relação ao segundo prognóstico (divulgado ainda em 2021), a gente está perdendo 19 milhões de toneladas”, observou Carlos Alfredo Guedes, gerente da pesquisa do IBGE. “Os problemas climáticos estão afetando as estimativas”, justificou.

Uma forte estiagem provocou quebra de safra em lavouras da região Sul e do Mato Grosso do Sul, com impacto, sobretudo, nas estimativas para a soja.

“A gente esperava uma safra muito boa, mas logo em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro nós tivemos falta de chuvas, principalmente na região Sul”, contou Guedes. “Produtos como a soja e o milho primeira safra têm impactos grandes nas cadeias de pecuária”, lembrou.

O pesquisador explica que a criação de frangos e suínos consome muito milho e soja na alimentação dos animais. Parte da produção de bovinos também pode ser afetada, através do encarecimento da ração.

“Isso eleva o custo de produção, que o produtor também repassa ao consumidor”, disse o gerente do IBGE. “Tem a questão climática, tem a questão do custo de produção, a desvalorização do real tem efeito sobre os insumos agrícolas, defensivos e fertilizantes, e também tem preço do frete, pelos combustíveis. Isso tudo acaba fazendo com que o preço final se eleve e seja repassado ao consumidor”, enumerou Guedes, sobre os aumentos de preços de alimentos no varejo.

A produção de soja deve somar 116,2 milhões de toneladas em 2022, uma redução de 13,9% em relação ao produzido no ano passado. A safra de uva deve ser de 1,5 milhão de toneladas, decréscimo de 13,2% em relação a 2021, afetada pela estiagem especialmente no Rio Grande do Sul. A estimativa para o tomate é de 3,5 milhões de toneladas, queda de 9,2% ante 2021.

“A gente tem visto aumento de preços de tomate em supermercados. É uma cultura bem sensível às condições climáticas, seja pela falta de chuva, seja pelo excesso. O custo de produção aumenta com maior necessidade de defensivos”, lembrou Guedes.

No caso do arroz e feijão, a produção esperada para ambos atende ao consumo doméstico, dispensando a necessidade de importação. A estimativa de produção do arroz foi de 10,7 milhões de toneladas para 2022, queda de 8,0% em relação ao produzido no ano passado, mas ainda dentro da faixa de consumo aparente dos brasileiros, estimada em 10 milhões de toneladas. A queda na produção de arroz este ano é explicada pela falta de água para irrigação da lavoura no Rio Grande do Sul.

“É uma produção que ainda atende ao nosso consumo. No ano passado a gente teve produção recorde de arroz”, lembrou Guedes. “Grande parte do arroz já está colhido no Rio Grande do Sul, a gente espera que não tenha tanta variação (revisão)”.

A estimativa para a produção de feijão é de 3,2 milhões de toneladas, ante um consumo doméstico de 3 milhões de toneladas. Se confirmada, a safra do grão neste ano será 13,9% maior que a de 2021.

“A gente está com uma produção relativamente boa este ano. Mantendo as estimativas, a gente não tem problema de abastecimento. Os preços o feijão aumentaram um pouco, mas isso se deve mais à elevação de custos”, explicou Guedes.

A produção nacional de trigo deve alcançar um recorde de 7,9 milhões de toneladas este ano, um avanço de 1,5% em relação a 2021.

“Existe uma expectativa de aumento na produção de trigo principalmente por causa do preço”, observou Carlos Alfredo Guedes. “A produção de aveia, cevada e trigo devem ser reavaliadas”, previu.

Guedes lembra que os preços do trigo estão em alta por causa da invasão da Rússia à Ucrânia. Os dois países são produtores e exportadores de trigo. No entanto, mesmo que se confirme, a produção brasileira não será suficiente para abastecer o consumo doméstico, que costuma ser de 12 milhões de toneladas. O Brasil costuma importar trigo da Argentina e um pouco dos Estados Unidos. Diante da valorização do grão impulsionada pela guerra no Leste Europeu, o produtor brasileiro está investindo na plantação, mas ainda é preciso aguardar para saber se as condições climáticas permitirão uma colheita superior à de 2021, que já tinha sido recorde.

A estimativa para a produção da aveia é de 1,0 milhão de toneladas, queda de 4,9% em relação a 2021. Para a cevada, a produção estimada é de 453,4 mil toneladas, alta de 3,8% ante 2021.

“O cultivo do cereal normalmente é realizado sob contrato com cervejarias nacionais, o que tem incentivado a produção no país como alternativa à importação do produto”, informou o IBGE.

 

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