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IBGE: taxa de desemprego menor é sazonal

O gerente da pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo, disse que a desaceleração na taxa de desemprego em setembro (7,7%, a menor taxa mensal de 2009) ante agosto (8,1%) reflete a geração, de um mês para o outro, de 76 mil vagas de trabalho nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, o que levou a uma queda de 4,8% no número de desocupados no período. Porém, ele ressaltou que a criação de postos de emprego no mês passado ante o mês anterior não mostra uma recuperação no mercado de trabalho metropolitano, mas um movimento sazonal, já que a taxa sempre recua nessa época do ano. De acordo com Cimar, é positivo que o mercado esteja respondendo às características sazonais dessa época do ano, na qual normalmente a taxa cai em relação ao mês anterior, mas para que estivesse ocorrendo uma recuperação de fato, a taxa estaria inferior à de setembro do ano passado. Em setembro de 2008, a taxa de desemprego foi exatamente de 7,7%.

JACQUELINE FARID, Agencia Estado

22 de outubro de 2009 | 11h54

"A queda na taxa de desemprego não mostra uma recuperação no mercado de trabalho, mas um movimento sazonal, já que a taxa sempre recua nessa época do ano. Para haver uma recuperação, o recuo na taxa e o aumento no número de ocupados teriam de ser mais expressivos", disse. Cimar explica que "a queda na taxa ante o mês anterior é um fato positivo, mas evita-se falar em recuperação porque os dados de formalidade não são muito favoráveis e o número de ocupados e a própria taxa de desemprego mostram um ritmo de reação aquém do que vinha sendo registrado em 2008".

Ele observou que, na média de janeiro a setembro de 2009, o número de ocupados aumentou 0,8% ante igual período de 2008, alta bem inferior ao resultado de 3,5% apurado na média de janeiro a setembro do ano passado ante igual período do ano anterior. A taxa de desemprego, na média de janeiro a setembro, está no patamar de 8,4%, abaixo da taxa de 8,1% apurada na média de igual período do ano passado.

Além disso, segundo ele, a pesquisa traz uma revelação preocupante, que consiste na queda de 0,3% no número de empregos com carteira assinada e no aumento de 2,0% no emprego informal em setembro ante agosto. Segundo o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, essas variações são avaliadas, estatisticamente, como estabilidade pelo IBGE, mas confirmam uma redução no ritmo de aumento da formalização do trabalho em relação aos acelerados avanços que ocorreram no ano passado. "A qualidade do emprego começa a se mostrar afetada", disse Cimar.

Ele exemplifica que, levando-se em consideração os empregados com carteira assinada no setor privado e os funcionários públicos e empregados domésticos contratados via regime CLT, o emprego formal equivalia, em setembro, a 54,9% do total de ocupados nas seis regiões metropolitanas, a menor fatia de 2009. Em janeiro deste ano, esse porcentual era de 55,7%.

Por outro lado, de acordo com Cimar, uma boa notícia trazida pela pesquisa é a continuidade no aumento do poder de compra dos trabalhadores, já que a renda média real aumentou, em setembro, em todas as bases de comparação, refletindo sobretudo o baixo patamar da inflação. O indicador de renda real da pesquisa mensal de emprego é deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) médio das seis regiões pesquisadas.

Na média dos nove primeiros meses deste ano, a renda média real registra um aumento de 3,6% ante igual período do ano passado, resultado superior à variação de 3,2% na renda apurada de janeiro a setembro do ano passado ante igual período do ano anterior. Segundo Cimar, essa aceleração no aumento do rendimento real foi impulsionada especialmente pelo aumento do salário mínimo e o nível mais baixo da inflação.

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