IBGE traça perfil do idoso brasileiro

Uma pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esmiúça o perfil da população da terceira idade e revela sua participação na sociedade brasileira. O estudo ?Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios? mostra que os idosos ocupam, cada vez mais, um lugar de destaque na sociedade. Dos cerca de 15 milhões de brasileiros (8,6% do total da população) com 60 anos ou mais de idade, 62,4% (8,9 milhões) são responsáveis pelos domicílios, têm, em média, 69 anos de idade e renda média de R$ 657,00. Isso representa 20% dos lares do País.Nos próximos 20 anos, a população idosa poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas e deverá representar quase 13% da população ao final deste período. As mulheres são maioria entre os idosos: em 1991, eram 54% da população; em 2000, passaram para 55,1% dos idosos. Logo, para cada 100 mulheres idosas havia 81,6 homens idosos.No Brasil, em média, as mulheres vivem oito anos a mais que os homens. A maioria mora nas grandes cidades, o que ajuda a prolongar o tempo de vida, especialmente para a viúva pela proximidade com os filhos e acesso aos serviços de saúde. Assim, em 2000, 81% das idosas moravam nas grandes cidades, sendo que a proporção desses moradores nas áreas rurais caiu de 23,3%, em 1991, para 18,6%, em 2000. A pesquisa verificou que 62,4% do total de idosos brasileiros eram responsáveis por domicílios em 2000. Em 1991, eles representavam 60,4%. A idade média do responsável idoso, em 2000, estava em torno de 69,4 anos (70,2 anos quando o responsável era do sexo feminino e 68,9 para o idoso responsável do sexo masculino).Em mais da metade (54,5%) dos lares comandados por idosos (8.964.850 dos 44.795.101 domicílios brasileiros) habitam os filhos ou enteados do idoso, seguindo um tendência que já se apresentava em 1991. Em 50% dos casos, estes filhos ou enteados têm 18 anos ou mais. Em todo o País, 64,7% dos idosos moram com ou sem cônjuge, mas com filhos ou outros parentes.Em 2000, o número de idosos que moram sozinhos chegava a 1.603.883, representando 17,9% do total. Em 1991, a proporção era de 15,4%. O estudo destaca a elevada proporção de idosas que moravam sozinhas, cerca de 67%. É mais fácil encontrar idosos vivendo sozinhos nos Estados das regiões Sul e Sudeste. Entre os municípios das capitais, as maiores proporções de pessoas com 60 anos ou mais que moravam sozinhos estão em Porto Alegre (27,1%), Rio de Janeiro (23%), Curitiba (21,3%) e São Paulo (20,2%). Em 93,3% dos domicílios onde a idosa é a responsável, ela mora sem o cônjuge.Uma curiosidade é que a proporção de idosos vem crescendo em ritmo mais acelerado que a de crianças. Em 1980, havia cerca de 16 idosos para cada 100 crianças. Já em 2000, essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças. Apesar da queda da taxa de fecundidade ainda ser a principal razão para a redução do número de crianças, a longevidade contribui progressivamente para o aumento de idosos na população.O crescimento da população de idosos é um fenômeno mundial. Em 1950, havia cerca de 204 milhões de idosos no mundo; já em 1998, quase cinco décadas depois, este contingente alcançava 579 milhões de pessoas, um crescimento de quase 8 milhões de pessoas idosas por ano. As projeções indicam que, em 2050, a população idosa será de 1.900 milhões de pessoas, montante equivalente à população infantil de 0 a 14 anos de idade.Uma das explicações para esse fenômeno é o aumento de 19 anos na esperança de vida em todo o mundo. Os números mostram que, atualmente, uma em cada dez pessoas tem 60 anos de idade ou mais e, para 2050, estima-se que a relação será de uma para cinco em todo o mundo, e de uma para três nos países desenvolvidos. O número de pessoas com 100 anos de idade ou mais aumentará 15 vezes, passando de 145 mil pessoas, em 1999, para 2,2 milhões, em 2050. Os centenários, no Brasil, somavam 13.865, em 1991, e já em 2000 chegam a 24.576 pessoas, um aumento de 77%. São Paulo tem o maior número de pessoas com 100 anos ou mais (4.457), seguido pela Bahia (2.808), Minas Gerais (2.765) e Rio de Janeiro (2.029).

Agencia Estado,

25 de julho de 2002 | 12h12

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