IBGE vai mostrar como é caro viver no Amazonas

Quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começar a pesquisar o índice do custo de vida também no Amazonas - o que ocorrerá a partir de setembro -, o restante do País descobrirá que a vida no Norte é muito mais cara do que se imagina. Como até agora essa pesquisa para a região atingia apenas o Pará, cuja economia não sofre tanto impacto da distância quanto o Amazonas, o índice aplicado aos amazonenses ficava sempre muito longe da realidade.Realidade que o amazonense sente, por exemplo, nos preços da carne, frutas, enlatados, verduras, leite, cereais, em todos os componentes da cesta básica e até nos sanduíches do McDonald´s, cujos preços são bem diferentes do restante do País. "Para manter a qualidade do produto, temos de utilizar todos os meios de transporte. Isso, é claro, impacta o preço final", explica Roderlei Campanha, franqueado McDonald´s em Manaus."A diferença é mesmo muito grande", atesta Niege Costa Medeiros, que nasceu em Natal, Rio Grande do Norte, e mora há um ano em Manaus. "Viciada" em Big Mac, lembra com saudade quando gastava bem menos pelo lanche antes de mudar de Estado. Mas o pior, segundo ela, é que a diferença de preço se faz sentir em todos os itens de primeira necessidade. "Tem apartamento à venda aqui por R$ 3 milhões. Até o aluguel é muito maior. Um apartamento de classe média não sai por menos de R$ 1 mil", acrescenta.Usando o McDonald´s como indexador natural, existem algumas explicações de logística que justificam essa diferença. Para receber os produtos de São Paulo, de onde vem a produção de tudo o que o McDonald´s vende, o franqueado local, para começar, deve adotar um sistema misto de transporte. Os artigos mais perecíveis precisam vir de avião. O que vem por estrada pode levar até 15 dias para chegar. E o que vem de Belém para Manaus precisa ser transportado por balsa pelo Rio Amazonas. "Isso nos obriga a manter um estoque maior de reserva, pois, se houver um imprevisto, ficamos sem mercadoria. Aí, nossa margem de perda com deterioração também aumenta", explica Roderlei.Frutas e verduras - Com os demais produtos, ocorre a mesma coisa. Alguns itens da alimentação, por exemplo, precisam chegar a Manaus por via aérea. Toneladas de frutas e verduras, por exemplo, desembarcam diariamente no Aeroporto Eduardo Gomes. E devem ser consumidas o mais rapidamente possível. A temperatura média da cidade, sempre entre 35 e 40 graus, não permite sonhar com estocagem para reduzir custos.No interior do Estado, a situação ainda é mais crítica. A mercadoria, que já chega à capital com o preço majorado por causa dos vários intermediários de transporte, tem ainda de cumprir uma jornada de balsa, ou avião, até chegar aos demais municípios.A inclusão do Amazonas na pesquisa do IBGE vai servir ainda para que o próprio amazonense tenha uma idéia real de seu custo de vida. Para isso, o IBGE contratará mais de 50 técnicos locais, encarregados de pesquisar semanalmente os preços da cesta básica amazonense.Peixe - Por ser bom e abundante na região, o peixe ainda pode ser encontrado a preços bem convidativos no mercado. O quilo do tambaqui, por exemplo, gira em torno de R$ 4, contra os quase R$ 10 da alcatra ou quase R$ 17 da picanha. Peixes menos nobres, como jaraqui e pacu, podem ser comprados bem mais em conta.Alguns preços para comparação, obtidos no Supermercado DB, de Manaus: feijão Blue Ville, R$ 2,49 o quilo; arroz Tio João, R$ 2,69 o quilo; alcatra, R$ 9,99 o quilo; picanha, R$ 16 89 o quilo; leite em pó Ninho (lata 400g), R$ 4,70; brócolis, R$ 15,83 o quilo; couve-flor, R$ 11,52 o quilo; Nescau (lata 400g), R$ 3,49; espaguete Adria, R$ 2,38 o quilo.Outros preços: aluguel de apartamento de três quartos, em bairro de classe média, R$ 1 mil; mensalidade escolar média, R$ 350; transporte coletivo, R$ 1,50; Big Mac, R$ 6,50; e McOferta número 1, R$ 11,15.

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