Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Em queda no exterior, dólar recua 0,6% e fecha cotado a R$ 3,85

Moeda americana teve queda global por conta da alta do petróleo e de maiores expectativas de que um acordo comercial entre EUA e China seja fechado

Altamiro Silva Junior e Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 15h58
Atualizado 08 de abril de 2019 | 17h49

O dólar terminou o primeiro pregão da semana em baixa, seguindo o desempenho negativo da moeda americana no exterior. Mesmo assim, o nível de preço atual da divisa frente o real explicita uma persistente cautela do investidor, afirmam especialistas. No mercado à vista, o dólar registrou queda de 0,57%, aos R$ 3,8496, menor nível desde 21 de março. Na mínima, caiu aos R$ 3,8426 e, na máxima, subiu aos R$ 3,8768. No mercado de ações, o Ibovespa, principal índice do País, fechou aos 97.369,29 pontos, em alta de 0,27%.

Segundo o operador Hideaki Iha, da Fair Corretora, embora o mercado doméstico esteja acompanhando o cenário externo de dólar fraco e commodities fortes, "aqui, não há motivo para vender dólar no patamar atual". "A reforma da Previdência vai sair? Qual será o tamanho da economia que deve gerar? E a pesquisa Datafolha adiciona preocupação. O nível de preço atual mostra isso, cautela", avalia. Segundo Iha, há expectativas pela entrega do relatório da Previdência na terça-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), 0 que pode gerar turbulências.

Profissionais do mercado de câmbio destacam que o enfraquecimento da moeda americana no exterior ajudou o real a ganhar força nesta , enquanto os agentes aguardam novidades sobre os próximos passos da reforma da Previdência. O dólar recuou tanto ante divisas de emergentes, como o peso mexicano e o rublo russo, como em relação a moedas fortes, como o euro e a libra, influenciado pelas expectativas maiores de um acordo comercial entre EUA e China, e pela decisão de Donald Trump de classificar o exército do Irã como terrorista, anúncio que provocou alta do petróleo e fez a commodity bater no maior nível em cinco meses. 

Para o gerente de tesouraria do Travelex Bank, Felipe Pellegrini, a expectativa para a Previdência segue positiva, embora a visão do mercado seja de que o texto não deva passar tão rapidamente e sem sofrer desidratação. Ele avalia que notícias positivas sobre a reforma podem fazer o dólar chegar mais perto de R$ 3,80 ou até abaixo desse patamar. Ao mesmo tempo, a moeda americana poderia testar níveis acima de R$ 3,90 com um noticiário mais negativo. "O mercado de câmbio está bem arisco ao noticiário local", disse ele.

Pesquisa Datafolha divulgada no domingo mostrou que Bolsonaro tem o pior desempenho entre os presidente em primeiro mandato, e captou ainda uma piora do otimismo com a economia depois que ele assumiu a Presidência. O porcentual de pessoas que acreditam que a situação econômica do País vai melhorar nos próximos meses caiu de 65%, em dezembro, para 50% em abril. A parcela dos que esperam piora dobrou, de 9% para 18%.

Nesse período, conforme levantamento do Estado, Bolsonaro não conseguiu formar uma base de sustentação para aprovar os projetos de interesse de sua gestão e em pouco mais de três meses, ele e sua equipe enfrentaram 80 dias de turbulência. Além de crises políticas, várias instituições financeiras e economistas vêm revisando para baixa suas projeções de crescimento para este e o próximo ano.

Mais cedo, a pesquisa Focus, do Banco Central, voltou a trazer redução na projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2019 de 1,98% para 1,97% e para 2020, de 2,75% para 2,70%, e trouxe ainda aumento na estimativa de inflação, com IPCA em 2019 subindo de 3,89% para 4,00%.

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