Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Real é a moeda que mais se valorizou ante o dólar neste início de ano

Dólar teve a quarta semana consecutiva de queda ante o real, acumulando baixa de 5,12% nos últimos 30 dias; moeda brasileira é a que mais se valorizou, considerando ranking com 143 países

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

11 Janeiro 2019 | 12h28
Atualizado 11 Janeiro 2019 | 22h07

O dólar teve a quarta semana consecutiva de queda, acumulando baixa de 5,12% nos últimos 30 dias. O real é a divisa que mais se valorizou ante a moeda americana neste começo de 2019, considerando um ranking de 143 países preparado pela Austin Rating. Nesta sexta-feira, 11, o dólar chegou a superar os R$ 3,72, refletindo um fluxo de saída de recursos do País por conta de uma operação de uma grande empresa. O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,16%, a R$ 3,7135.

No mercado de ações, em uma semana na qual renovou sucessivos recordes e se aproximou dos 94 mil pontos, o Ibovespa sucumbiu às correções e encerrou o último pregão da semana em baixa de 0,16%, aos 93.658,31 pontos. Ainda assim, garantiu uma rentabilidade acumulada semanal de 1,98% e, no mês, de 6,57%. O giro financeiro foi de R$ 14,9 bilhões. O movimento de baixa foi compatível com o de seus pares em Nova York, ainda que um pouco mais ameno.

Dólar

A moeda americana teve um dia de instabilidade, em dia de fraca liquidez, acompanhando o movimento do dólar no exterior, que subiu ante o euro e moedas de alguns emergentes, como o México e a Turquia, em meio a preocupações sobre o fechamento do governo americano, que já dura três semanas, a desaceleração da economia mundial e os rumos das conversas comerciais entre a Casa Branca e Pequim.

Após a queda de 4% nas duas primeiras semanas de 2019, a dúvida é se o dólar tem fôlego para cair mais no Brasil nas próximas semanas. O estrategista para emergentes do banco de investimento americano Brown Brothers Harriman (BBH), Win Thin, avalia que melhora adicional do real será difícil até que ocorra "progresso concreto" nas reformas. Para o executivo, os investidores ficaram "otimistas demais" com o novo governo e o andamento das reformas não deve ser tão fácil como esperado.

O banco alemão Commerzbank avalia que boa parte das perspectivas positivas com o Bolsonaro já está nas cotações do câmbio e, portanto, só a implementação das medidas pode ajudar o dólar a cair mais.

No curto prazo, o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Junior, avalia que há espaço para o dólar subir "um pouco mais em meio ao movimento de correção técnica". Para ele, caso a cotação fique entre R$ 3,74/R$ 3,80, pode ser um ponto que atraia vendedores da moeda, como importadores. 

A avaliação dos especialistas em câmbio é que a dinâmica sobre a reforma da Previdência e o cenário internacional devem seguir ditando o comportamento do câmbio. Nesta sexta-feira, a novidade sobre a reforma foi a declaração do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de que na segunda-feira, 14, o governo terá uma discussão preparatória sobre a reforma antes de apresentar a proposta para Bolsonaro, prevista também para a semana que vem. Na avaliação do economista sênior para a América Latina da consultoria americana Continuum Economics, Pedro Tuesta, um dos riscos é que o governo, apesar do esforço do ministro da Economia, Paulo Guedes, só consiga aprovar uma versão desidratada das medidas para mudar a aposentadoria.

Bolsa

Houve nesta sexta-feira um fluxo de notícias específicas corporativas que contrabalancearam o ímpeto de realizações, como o sinal verde do presidente Jair Bolsonaro para a junção da Embraer e Boeing. As ações ordinárias da fabricante brasileira de aeronaves passaram o dia em alta - chegando na máxima intraday a 10% - e encerraram com ganhos de 2,57%%. Também, complementa Passos, a renda variável teve início de ano com rali forte e os investidores começaram a puxar os papéis que ficaram mais para trás, como, por exemplo, Ambev, que fechou o dia em alta de 2,61%. 

Por mais um dia consecutivo, as ações ON do Banco do Brasil tiveram alta em contraposição ao restante das blue chips. Encerraram com ganhos de 0,41%.

Para o início da próxima semana de negócios, o analista acredita que o exterior ainda pesará sobre as decisões, uma vez que está prevista a votação do Brexit, as negociações entre Estados Unidos e China ainda estão em andamento e há divulgação de dados econômicos nos dois países, como varejo americano e balança comercial chinesa, que dão indicações a respeito do ritmo de aquecimento da economia global. No Brasil, o mercado fica atento ao IBC-BR do Banco Central. "A divulgação dos dados do varejo também pode mexer com os papéis ligados a consumo pontualmente, mas o externo vai se sobrepor", prevê Passos. 

A conta-gotas, os investidores estrangeiros começam a voltar à Bolsa e ingressaram com R$ 63,543 milhões na última quarta-feira, 9. Ainda assim, o saldo acumulado é negativo em R$ 1,138 bilhão.

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