Werther Santana / Estadão
Werther Santana / Estadão

Bolsa de Valores fecha acima dos 110 mil pontos pela primeira vez

Sinais de um acordo entre Estados Unidos e China ditaram o rumo do mercado; otimismo interno também pesou

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2019 | 14h34
Atualizado 04 de dezembro de 2019 | 22h23

O Ibovespa subiu nesta quarta, 4, e encerrou o dia acima dos 110 mil pontos pela primeira vez na história. O novo recorde foi uma resposta dos investidores às possibilidades, cada vez maiores, de ser fechado um acordo comercial entre os Estados Unidos e a China – arranjo que viria antes da entrada em vigor do aumento de 10% para 15% nas tarifas americanas sobre R$ 125 bilhões em produtos chineses. Além dos fatores externos, os analisas concordam que alguns números locais facilitaram o bom humor dos investidores brasileiros. 

Reportagem da Bloomberg publicada no início da manhã afirmava que as negociações entre EUA e China avançam rapidamente, apesar das declarações de Donald Trump. O presidente americano é protagonista de idas e vindas retóricas sobre as negociações, com frequência quase diária, que são levadas ao pé da letra pelo mercado. No dia anterior, ele comentou que não se importava com a urgência de um acordo. Depois da reportagem, todas as principais Bolsas mudaram o sinal para o azul e ficaram assim até o final do dia. 

Mercado doméstico

Vale lembrar que o recorde da Bolsa brasileira é nominal, por não considerar a variação da inflação ao longo dos anos. Em termos reais, o mercado considera o pico do índice no dia 20 de maio de 2008, quando marcou 73.516 pontos. De acordo com a análise gráfica de José Raymundo de Faria Júnior, da Planejar, esse recorde, deflacionado, seria hoje de 137.500 pontos.

O destaque no recorde do Ibovespa foi a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro semestre, na terça-feira, que veio acima das expectativas do mercado, com alta de 0,6%. “Mais do que o resultado deste ano, ele carrega uma alta mais vigorosa para o ano que vem e isso é animador”, afirma o economista-chefe das corretora Modalmais, Alvaro Bandeira. Os analistas passaram a projetar alta de 2,3% no PIB para o próximo ano.

Para George Wachsmann, chefe de investimento da Vitreo, ainda é difícil dizer se o que o investidor assiste é o início de rali de ações de final de ano, um movimento tradicional no mercado brasileiro, que segundo ele “não gosta de passar as festas no vermelho”. “Precisamos aguardar um pouco. Mas esse é um movimento realizado pelos investidores brasileiros, impacto dos juros baixos e, sim, tem um componente do final de ano, com dinheiro extra proveniente do 13º salário e do histórico de alta das ações ness período”, afirma.

Câmbio

O dólar chegou a ensaiar queda mais forte ontem, mas perto do fechamento o movimento perdeu fôlego, assim como ontem. Mesmo assim, a moeda americana fechou em leve baixa, a R$ 4,2023 (-0,08%), a terceira queda seguida. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.