Ibovespa cai 15% e bolsa perde 'uma Vale' no ano

A bolsa brasileira conseguiu se manter acima dos 58 mil pontos nesta sexta-feira, apesar da volatilidade cada vez maior nos mercados globais por causa dos problemas na dívida soberana dos Estados Unidos.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

29 de julho de 2011 | 17h59

A conclusão das negociações no Congresso norte-americano deve dar a direção da bolsa paulista no começo de agosto. Um acordo, no entanto, não garante tendência de alta para o índice, já que ainda haveria a possibilidade de uma redução da nota da dívida dos Estados Unidos.

O Ibovespa fechou em alta de 0,2 por cento, a 58.823 pontos. O giro do pregão foi de 6,3 bilhões de reais.

Em julho, o índice teve queda de 5,74 por cento, pior desempenho mensal desde maio de 2010. Em 2010, o Ibovespa tem baixa de 15 por cento.

Considerando todas as ações da bolsa, o valor bursátil da Bovespa caiu de 2,569 trilhões de reais no final de 2010 para 2,316 trilhões de reais na quinta-feira.

A queda é bem próxima dos 264 bilhões de reais que representam o valor de mercado da Vale, segunda maior empresa de capital aberto no Brasil.

A leve alta do Ibovespa nesta sexta-feira manteve o índice acima de 58 mil pontos, importante suporte técnico, de acordo com José Góes, analista econômico da Win Trade, home broker da Alpes Corretora.

"É um suporte de longo prazo, que vem desde antes da crise de 2008. Se perder isso, acho que o mercado pode ficar feio mesmo... Se por acaso houver um 'default' (nos Estados Unidos), (o mercado) tem muito a perder. No fundo, o mercado está com uma esperança de que aconteça um acordo", disse Góes.

O Congresso dos Estados Unidos tem até a próxima terça-feira para elevar o teto da dívida do país. Se isso não ocorrer, o país estará em risco iminente de um calote.

A volatilidade geral do mercado ficou evidente nas ações do Ibovespa, amplificada por notícias corporativas. A Gol despencou 21,6 por cento, a 12 reais, após revisar para baixo estimativas de desempenho este ano.

A perda de valor de mercado da Gol somente neste pregão equivale a quase sete jatos Boeing 737-800.

Na outra ponta, a Embraer subiu 7,17 por cento, a 11,21 reais, após revisar para cima as metas de 2011.

(Reportagem adicional de Aluísio Alves)

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