Ibovespa cai à espera de BCs, mas avança 3,2% em julho

A Bovespa recuou nesta terça-feira, após três pregões seguidos de alta, com investidores mostrando cautela à espera de possíveis novas medidas de estímulo vindas das reuniões de bancos centrais nos Estados Unidos e Europa nesta semana.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

31 de julho de 2012 | 18h22

Ainda assim, o principal índice de ações brasileiras, o Ibovespa, conseguiu registrar em julho sua primeira alta mensal desde fevereiro --graças ao forte rali observado nas três últimas sessões.

"A bolsa foi salva no fim do mês, aos 40 minutos do segundo tempo, com o Draghi (Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu) falando que fará tudo o que puder para salvar a zona do euro", disse Pablo Spyer, diretor da Mirae Securities.

Na sessão, o Ibovespa caiu 2,0 por cento, a 56.097 pontos, num pregão com giro financeiro de 6,65 bilhões de reais. Mas no mês, o índice acumulou alta de 3,2 por cento, interrompendo sequência de quatro meses em queda.

Apesar do avanço, analistas mostravam pouco entusiasmo com as perspectivas para a Bovespa em agosto e apostavam que o clima de "montanha-russa", que marcou os negócios em julho, continuará forte nos mercados.

"Ainda é cedo para ficar otimista, estamos longe de uma recuperação consistente de médio e longo prazo", disse Spyer.

Segundo ele, mesmo que o Banco Central Europeu (BCE) e o Federal Reserve (banco central dos EUA) apresentem as esperadas medidas de estímulo monetário em suas respectivas reuniões nesta semana, "isso não deve ser a solução definitiva para a crise".

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, avaliou que as eventuais medidas podem animar a bolsa, mas será "um efeito temporário e de curta duração... A bolsa ainda vai ser um investimento de alto risco."

Rosa acrescentou que "o ganho de julho foi pequeno em relação ao risco e ainda não existem garantias de que este movimento se sustente nos próximos meses."

O cenário externo deve continuar ditando o rumo da Bovespa, com a crise na Europa, a lenta recuperação da economia norte-americana e os sinais de desaceleração da China.

"O que vai gerar mudança e uma nova tendência para a bolsa é a visão de que existirá uma revitalização na Europa", afirmou o diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso

Em Wall Street, o índice Dow Jones recuou 0,49 por cento, mas acumulou alta de 1 por cento em julho. Mais cedo, o principal índice de ações europeias fechou em queda de 0,9 por cento, mas teve alta de 4,2 por cento no mês.

Por aqui, o tombo das ações preferenciais da Petrobras pesou no índice. O papel perdeu 3,99 por cento, a 19,50 reais, com o mercado à espera do resultado trimestral da estatal na sexta-feira. Nos últimos cinco dias, até o fechamento da véspera, o papel acumulou alta de 7,1 por cento.

Ainda entre as blue chips, a preferencial da Vale teve queda de 0,84 por cento, a 36,40 reais. OGX, empresa de petróleo e gás do grupo EBX, do bilionário Eike Batista, recuou 2,92 por cento, a 5,65 reais.

PDG Realty desabou 7,34 por cento, a 3,41 reais, e foi a maior queda do índice. Na sequência, TIM Participações perdeu 5,84 por cento, a 8,54 reais, após a empresa de telefonia ter reportado lucro do segundo trimestre abaixo das expectativas.

Em sentido oposto, Usiminas saltou 5,28 por cento, a 7,38 reais, depois que a siderúrgica anunciou prejuízo trimestral menor que o esperado pelo mercado.

Fora do índice, OSX saltou 5,73 por cento, a 11,99 reais, com o mercado apostando que Eike Batista poderá anunciar em breve o fechamento do capital da sua subsidiária de construção naval, a exemplo do que fez com LLX. (Por Danielle Assalve; Edição de Aluísio Alves)

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