Ibovespa cai pelo 3o dia e acumula perda de 3,5% na semana

A aversão a risco no mercado internacional empurrou a bolsa brasileira nesta sexta-feira para o patamar mais baixo desde setembro, com a terceira queda consecutiva do índice Ibovespa.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

28 de janeiro de 2011 | 18h53

O indicador caiu 1,99 por cento, para 66.697 pontos. O giro do pregão foi de 7,59 bilhões de reais.

Na semana, o Ibovespa caiu 3,52 por cento.

O mercado local já exibia mais fraqueza do que as bolsas internacionais nos últimos dias, em parte por causa de incertezas sobre a condução da política monetária e cambial.

Com a queda de mais de 1 por cento dos principais índices em Wall Street, em uma reação de cautela aos protestos contra o governo no Egito, a realização de lucros na Bovespa ganhou ainda mais força e quebrou suportes técnicos como a média móvel dos últimos 200 dias.

"O mundo inteiro está caindo bastante: Europa, EUA, sem exceção. E daí encontra uma bolsa bastante pesada aqui, que já vem de algum tempo numa tendência de baixa", disse Rodrigo Falcão, operador da Icap corretora.

Ações de todos os setores foram bastante punidas. A produtora de carne Marfrig teve a maior queda do Ibovespa, 6,05 por cento, a 13,35 reais.

Com o maior volume do pregão, as ações preferenciais da mineradora Vale recuaram 2,02 por cento, a 51,05 reais, e devolveram parte da alta de quase 9 por cento acumulada em 2011, até a quinta-feira.

Dentre as empresas de maior liquidez, as ações da Petrobras tiveram desempenho relativamente melhor, com queda de apenas 0,74 por cento dos papéis PN, a 26,67 reais.

De acordo com Falcão, a alta de mais de 4 por cento do petróleo no mercado internacional até ajudou, mas o principal fator que evitou uma queda maior da Petrobras é o fato de que as ações ainda estão subavaliadas após o longo processo de capitalização no ano passado, que provocou a queda dos papéis.

Quem mais destoou da queda do mercado foi a ação da Usiminas com direito a voto, com alta de 4,76 por cento, a 23,12 reais. Na véspera, a concorrente CSN anunciou que detém mais de 5 por cento das ações ON da Usiminas e avalia "alternativas estratégicas" para esse investimento.

Na próxima semana, o mercado começa a receber os balanços do quarto trimestre do ano passado. O Bradesco será o primeiro a divulgar os resultados, na segunda-feira, com previsão de alta de 41,5 por cento do lucro.

Os investidores também ficam atentos a oportunidades de compras após as sucessivas quedas desta semana. "Com certeza tem muita gente de olho em algumas ações, para começar a colocar no portfólio", afirmou Falcão.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Aluísio Alves)

Tudo o que sabemos sobre:
BOVESPAFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.