Suamy Beydoun/Agif
Suamy Beydoun/Agif

Dólar cai a R$ 3,93, mas fecha quarta semana seguida de alta

Principal índice de ações do País, o Ibovespa terminou o dia com valorização de 0,50%, aos 96 mil pontos

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2019 | 12h02
Atualizado 03 de maio de 2019 | 18h35

O dólar fechou esta sexta-feira, 3, acumulando alta semanal de 0,19%, a quarta semana consecutiva de valorização. A sessão desta sexta foi influenciada principalmente pelo ambiente externo, em novo dia de queda da moeda americana no mercado financeiro internacional.

No mercado doméstico, o noticiário foi esvaziado e a expectativa maior é para o início dos trabalhos na comissão especial que vai analisar a reforma da Previdência, previsto para terça-feira, dia 7. Na sessão desta sexta-feira, o dólar caiu 0,52%, a R$ 3,9390.

Em meio ao maior apetite por risco, o Ibovespa terminou o dia com valorização de 0,50%, aos 96.007,89 pontos. Entretanto, a cautela com a reforma da Previdência impediu uma alta maior do índice da B3, que acumulou baixa de 0,24% na semana.

Investidores desmontaram nesta sexta posições defensivas no câmbio, mas profissionais nas mesas de operação destacam que foi um movimento pontual, estimulado pela fraqueza do dólar lá fora e que os próximos passos da Previdência recomendam cautela.

Também contribuiu para retirar pressão do câmbio uma captação de recursos no exterior. Com forte demanda, a Marfrig captou US$ 1 bilhão em bônus, superando o objetivo inicial de ofertar US$ 750 milhões. A procura pelos investidores chegou a US$ 2 bilhões, segundo bancos participantes da operação. 

"Há um receio grande no mercado de que a reforma da Previdência possa ser mais diluída", destaca o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcisio Rodrigues Joaquim. Por isso, ele não vê tendência de a moeda cair abaixo dos R$ 3,90 por enquanto, a menos que apareçam desdobramentos concretos sobre a reforma. Além disso, os investidores estrangeiros seguem fora do mercado brasileiro, aguardando as medidas da Previdência avançarem, o que é um fator a mais para manter o câmbio pressionado.

O dólar caiu nesta sexta no exterior, perante divisas fortes, como o euro, e de emergentes, como o peso mexicano, e o rand da África do Sul. Dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos surpreenderam na criação de vagas em abril, mas o aumento dos salários veio aquém do esperado, o que trouxe de volta ao radar dos investidores a possibilidade de corte de juros na maior economia do mundo. Entre os economistas, a visão é de manutenção das taxas. 

O economista do Credit Suisse, Jeremy Schwartz, minimiza a chance de redução dos juros e ressalta que o relatório "misto" de emprego apoia a estratégia do Federal Reserve de "esperar para ver". O banco espera que os juro sejam mantidos nos próximos meses pelo Fed. Novos dirigentes do BC americano reforçaram a visão de que a inflação está fraca nos EUA, contribuindo para queda adicional do DXY, índice que mede o comportamento do dólar perante uma cesta de divisas fortes. Na quarta-feira, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que a inflação baixa se devia a fatores "transitórios", o que esfriou as apostas de corte de juros, mas elas foram novamente reforçadas.

Bolsa

Sinalizações do presidente Donald Trump de que EUA e China podem chegar a um acordo comercial "histórico e monumental" também contribuíram para aumentar o apetite por risco, o que foi visto principalmente entre ações ligadas a commodities metálicas. Nesse ambiente de influência externa, o índice Bovespa chegou a subir 0,82% na máxima do dia (96.314,61 pontos). Vale e siderúrgicas foram os principais destaques do dia, com altas expressivas, alinhadas aos índices internacionais de metais. Vale ON subiu 2,98%, CSN ON avançou 8,01% e Usiminas ganhou 4,97%. 

"O Ibovespa continuou a seguir referências externas nesta sexta-feira de baixa volatilidade, o que dificultou até mesmo o trabalho daqueles que operam no intraday", disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor. "Esses volumes fracos são sintoma da falta de notícias novas no cenário doméstico que tragam algum ímpeto ao investidor. Enquanto o investidor aguarda o avanço da reforma da Previdência, o que se vê são sinais de economia parada", afirma.

Para Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora, o desempenho fraco do Ibovespa nesta semana evidencia ainda um forte sentimento de incerteza entre os investidores no que diz respeito à reforma da Previdência, cuja tramitação efetiva deve começar na próxima semana. "Enquanto não houver avanço concreto, a economia vai continuar a dar sinais de fraqueza, inclusive com o governo tendo de buscar soluções internas para a falta de recursos", disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.