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Ibovespa sobe 1,28% por melhora de percepção com reforma da Previdência

Há expectativa em relação à postura do ministro da Economia, Paulo Guedes, que está na Comissão Especial para explicar a reforma aos deputados

Paula Dias, Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2019 | 11h55
Atualizado 08 de maio de 2019 | 18h31

As recentes movimentações do governo em busca de obter apoio para a reforma da Previdência foram cruciais para a recuperação dos preços no mercado de ações nesta quarta-feira. Depois das duas quedas consecutivas, determinadas pela aversão ao risco no mercado internacional, o Índice Bovespa encontrou no noticiário político doméstico o fôlego para fechar em alta de 1,28%, aos 95.596,61 pontos. Lá fora, as tensões foram arrefecidas, o que também contribuiu para a melhora do apetite por risco no mercado brasileiro. Os negócios somaram R$ 15,3 bilhões.

Desde a abertura, o índice já exibiu sinal positivo em reação à decisão do presidente Jair Bolsonaro de recriar os ministérios das Cidades e Integração Nacional. A reunião de Bolsonaro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM) e os 27 governadores, pela manhã, foi outro ponto visto positivo no âmbito político, por sinalizar para a melhora na capacidade de articulação do governo.

Os ganhos do Ibovespa foram puxados principalmente pelas ações da Petrobrás e as do setor financeiro. No caso dos bancos, os ganhos robustos foram relacionados à recomposição das perdas dos últimos dias, uma vez que esses papéis foram os mais castigados pela onda de aversão ao risco. Banco do Brasil ON subiu 2,22%, Bradesco PN avançou 2,07% e Itaú Unibanco PN ganhou 1,13%. No caso de Petrobrás, os ganhos de 3,42% (ON) e 3,87% (PN) foram atribuídos a declarações do presidente da companhia, Roberto Castello Branco, que garantiu que "as notícias são boas em abril e no futuro", destacando redução no endividamento da estatal. Além disso, a quarta-feira foi de alta dos preços do petróleo, o que contribuiu para o impulso das ações da petroleira.

Dólar

Depois de dois pregões seguidos de alta, em que chegou a flertar com os R$ 4, o dólar recuou na sessão desta quarta-feira. Segundo operadores, agentes aproveitaram o arrefecimento da aversão ao risco lá fora, após sinais de distensão na disputa comercial entre EUA e China, e a percepção de que o governo Jair Bolsonaro tenta acertar os ponteiros com o Centrão para promover ajustes técnicos e realizar lucros de posições compradas. Afora uma pequena alta pela manhã, o dólar passou o dia em queda e, com mínima de R$ 3,9259, encerrou cotado a R$ 3,9331, em queda de 0,91%. Em maio, a moeda americana ainda avança 0,30% ante o real.

Os ajustes de posições teriam começado na tarde de ontem, após notícias de recriação de dois ministérios (Cidades e Integração Nacional), o que abriria espaço para abrigar mais partidos no governo, e prosseguido hoje com notícias do encontro de Bolsonaro com governadores para angariar apoio à reforma da Previdência. Pela tarde, a participação serena do ministro da Economia, Paulo Guedes, em audiência na comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência - que ainda está em andamento - evitou que houvesse espaço para movimentos especulativos. 

Análises

"A decisão de Jair Bolsonaro de recriar os ministérios foi determinante do sinal de alta do Ibovespa, que determinou o ritmo do dia logo na primeira hora de negócios. Desde então, o que se viu foi a manutenção desse patamar", afirmou Daniel Herrera, analista da Toro Investimentos. Na avaliação do analista, a melhora dos ânimos no exterior foi fator praticamente neutro para o mercado doméstico.

Já para Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da H.Commcor, o cenário internacional foi relevante no desempenho da Bolsa, favorecendo a recuperação dos ativos. Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o vice-primeiro-ministro da China, Liu He, irá a Washington esta semana "para fazer um acordo". A declaração foi vista como uma sinalização positiva sobre as negociações comerciais bilaterais. 

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