Ibovespa encerra pregão em baixa; Eletrobras desaba 20%

A Bovespa recuou nesta quarta-feira, em uma sessão marcada pela queda histórica das ações da Eletrobras, com investidores temendo os impactos negativos da provável renovação antecipada de concessões elétricas sobre os resultados da estatal.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

21 de novembro de 2012 | 18h13

O Ibovespa caiu 0,37 por cento, a 56.242 pontos, pressionado por ajustes após o feriado da véspera. O giro financeiro do pregão foi de 7,2 bilhões de reais.

As ações preferenciais da Eletrobras afundaram 20,08 por cento, a 7,84 reais. Foi a maior queda diária da história do papel, para o menor preço desde agosto de 2003. Com isso, o papel acumulou baixa de 43,2 por cento em quatro pregões.

"É plenamente justificada essa queda das ações da Eletrobras", disse o analista Alexandre Furtado Montes, da Lopes Filho & Associados, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, o efeito da provável renovação antecipada de concessões elétricas que vencem entre 2015 e 2017 --nos termos estipulados pelo governo-- será "devastador" para a Eletrobras que tem o próprio governo federal como controlador.

"Mesmo antes da MP 579, todos os indicadores da Eletrobras já eram piores que o de empresas privadas do setor. Agora tudo indica que ela terá fluxo de caixa negativo nos próximos anos", afirmou, referindo-se à medida provisória sobre renovação antecipada e condicionada de concessões elétricas que venceriam de 2015 a 2017.

A ação ordinária da Eletrobras afundou 15,7 por cento, a 6,75 reais. O tombo também foi considerável --a maior baixa diária de fechamento desde outubro de 1997, para a menor cotação desde setembro de 2003. Esse foi o quarto pregão seguido de queda para o papel, com desvalorização de quase 32 por cento no período.

Dentre as blue chips, OGX caiu 4,91 por cento, a 4,65 reais, após alta de 7,5 por cento na última sessão. A preferencial da Petrobras recuou 2,67 por cento, a 18,62 reais, e a da Vale subiu 1,06 por cento, a 35,44 reais.

O destaque de alta do Ibovespa na sessão ficou com as ações ordinárias da Marfrig e as preferenciais da Cesp, que subiram 4,78 e 3,35 por cento, respectivamente.

"Eu sou otimista em relação à bolsa no médio prazo, mas no curto prazo acho que vamos continuar sofrendo. Investidores estrangeiros tenderão a colocar menos dinheiro nas empresas que têm participação do governo", disse o sócio-diretor da Título Corretora, Márcio Cardoso.

Na cena externa, os mercados acionários avançavam depois que líderes políticos europeus afirmaram que estão perto de fechar um acordo sobre a liberação de nova parcela de resgate à Grécia, embora investidores ainda mostrassem cautela.

Em Nova York, o índice Dow Jones subia 0,14 por cento e o S&P 500 tinha baixa de 0,06 por cento pouco depois do fechamento da bolsa paulista. Já o principal índice europeu de ações fechou em alta de 0,27 por cento.

Os mercados norte-americanos ficarão fechados na quinta-feira pelo feriado de Ações de Graças, o que pode limitar o volume de negociações na Bovespa.

A bolsa paulista fará reunião na quinta-feira com membros do mercado para discutir e decidir se manterá o atual horário de negociação da Bovespa.

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