Ibovespa fica estável hoje, mas cai 2,84% em fevereiro

Especialistas apontaram que a previsão de corte de na Selic em março garantiram a recuperação da Bolsa

Claudia Violante, da Agência Estado

27 de fevereiro de 2009 | 18h32

Em uma sessão bastante volátil, a Bovespa conseguiu descolar-se de Wall Street na maior parte da tarde, mas fechou praticamente estável, após três pregões seguidos de queda. Os especialistas apontaram que o final de mês, a boa vontade dos investidores com o Brasil, a previsão de corte de pelo menos um ponto porcentual na Selic em março e o ingresso de recursos estrangeiros garantiram a recuperação da Bolsa à tarde.     Veja também: Dólar sobe com PIB ruim dos EUA e tem alta de 2,5% no mês As medidas do emprego De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise     A Bovespa terminou o pregão com elevação de apenas 0,01%, aos 38.183,31 pontos. Na semana, recuou 1,37%, fechando o mês de fevereiro com perda de 2,84%. Mas esta queda não conseguiu apagar os ganhos de janeiro, e o acumulado do ano é positivo em 1,69%. Na mínima do dia, a Bolsa tocou os 37.324 pontos (-2,24%) e, na máxima, atingiu os 38.801 pontos (+1,63%). O giro financeiro totalizou R$ 3,817 bilhões. Os dados são preliminares.   A ligeira recuperação das bolsas em Wall Street na segunda metade do pregão abriu espaço para que os investidores fossem as compras no mercado doméstico. Como hoje é o último dia útil do mês, sempre há uma corrida para garantir um desempenho melhor às carteiras. Além disso, "há boa vontade com o Brasil, com a perspectiva de queda dos juros", destacou o gestor-gerente da Infinity Asset, George Sanders.   Essa boa vontade já vem sendo registrada pelas ações da Petrobras há três sessões, contando com hoje, embora os papéis PN, nos minutos finais, tenham virado para baixo e recuado 0,45%. No mês, entretanto, subiram 5,47%. Petrobras ON avançou 0,62% hoje e 7,67% em fevereiro, também com compras dos investidores estrangeiros. Na Nymex, o contrato para abril do petróleo fechou em baixa, de 1,02%, aos US$ 44,76. Na próxima sexta-feira, a empresa divulga seu balanço do quarto trimestre de 2008.   O analista de investimentos da Spinelli Max Bueno lembrou que a Petrobras está em vantagem em relação a suas equivalentes internacionais, visto que seu custo de produção é mais baixo e o preço dos derivados não foi reduzido apesar da queda do petróleo no mercado externo. "De maneira geral, as empresas brasileiras estão entregando resultados mais fracos do que em 2008, mas com lucros saudáveis", destacou.   Mesmo com as condições domésticas mais firmes do que no cenário externo, aqui também há muitas razões com o que se preocupar. Hoje, por exemplo, a FGV anunciou que a confiança do consumidor caiu em fevereiro, de 95,9 pontos em janeiro para 94,6 pontos, o menor patamar da série histórica, iniciada em setembro de 2005. Segundo a entidade, os consumidores estão preocupados com as condições econômicas para os próximos meses e cautelosos no que se refere à compra de bens duráveis.   Mas muito mais do que os dados domésticos, é o quadro internacional que diariamente renova as preocupações com o futuro da economia. Hoje, os dados revistos do PIB dos Estados Unidos mostraram uma queda muito maior do que o previsto e arrastaram as bolsas para baixo. O componente adicional de pressão foi o acordo entre o Tesouro dos EUA e o Citigroup para tentar, mais uma vez, salvar a instituição que já foi um dos maiores conglomerados do mundo.   Pelo acordo fechado entre o governo e o banco, ficou acertada a troca de até U$ 25 bilhões de ações preferenciais do Citi por ações ordinárias. O Tesouro dos EUA vai assumir 36% do Citigroup em uma operação que não implicará qualquer injeção adicional de recursos do governo dos EUA na instituição.   Dow Jones terminou o dia em baixa de 1,66%, aos 7.062,93 pontos. S&P recuou 2,36%, aos 735,09 pontos, e Nasdaq, teve perda de 0,98%, aos 1.377,84 pontos. O setor bancário foi destaque de baixa e os papéis do BofA, por exemplo, caíram 25,75%. Citigroup recuou 39,02%.   Não bastasse o acordo, o PIB também não foi nada bom. Na segunda revisão do quarto trimestre, a queda passou de 3,8% para 6,2% na taxa anualizada, ante previsão de -5,4%. Foi o pior resultado trimestral desde os três primeiros meses de 1982. Outro indicador ruim foi o da confiança do consumidor, que recuou para 56,3 em fevereiro, de 61,2 em janeiro.   Para a próxima semana, não se vislumbra um quadro melhor. A volatilidade segue em alta e os indicadores e noticiário sobre o setor bancário dos EUA continuarão na mira. Os destaques da agenda são o relatório do mercado de trabalho norte-americano, na sexta-feira, mesmo dia da produção industrial doméstica.

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