Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa chega a inéditos 100 mil pontos

Marca chegou a ser superada durante o dia, mas índice desacelerou e acabou fechando o pregão em alta de 0,86%, aos 99.993 pontos

Paula Dias e Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2019 | 17h37

Com um cenário externo positivo e após declarações favoráveis à reforma da Previdência feitas pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o Ibovespa (principal índice da Bolsa) bateu pela primeira vez a marca emblemática dos 100 mil pontos nesta segunda-feira, 19. Durante a tarde, perdeu parte do fôlego e fechou aos 99.993 pontos, em novo recorde, com alta de 0,86%.

A marca histórica do Ibovespa foi atingida depois de um início de regresso de capital estrangeiro à Bolsa. Nas sessões de terça, quarta e quinta-feira da semana passada, houve mais entrada de recursos de fora do que retirada – a B3 ainda não divulgou os dados de sexta-feira e de segunda. No acumulado de março, o saldo estrangeiro é positivo em R$ 497,6 milhões e vai na direção contrária ao observado em fevereiro, quando foram retirados R$ 2,6 bilhões. No ano, o saldo ainda é negativo em R$ 597,2 milhões.

“Nos últimos três pregões, houve um bom ingresso de recursos estrangeiros”, destacou Alvaro Bandeira, economista-chefe do ModalMais. Para o analista-chefe da XP Investimentos, Karel Luketic, porém, uma entrada mais robusta de capital internacional só vai acontecer após a aprovação da reforma previdenciária.

Nesta segunda, a superação dos 100 mil pontos ocorreu minutos após o ministro da Casa Civil afirmar não ter dúvidas de que a reforma será aprovada no primeiro semestre. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Onyx admitiu dificuldades na articulação com parlamentares, mas disse ser preciso “ter paciência”. O ministro confirmou que a proposta de previdência dos militares será enviada ao Congresso na quarta-feira.

Nos Estados Unidos, o ministro da Economia também afirmou que o governo vai se apressar para levar a proposta dos militares até quarta. Guedes disse ainda que, se a economia com o novo sistema previdenciário for menor do que R$ 1 trilhão em dez anos, “o compromisso com as futuras gerações é (será) relativo, o que é lamentável”.

As manifestações dos ministros foram interpretadas positivamente pelo mercado. “O quadro é de aprovação (da reforma na Câmara dos Deputados) ainda no primeiro semestre, o que atrai recursos”, disse Bandeira.

Do lado internacional, ajudou no avanço do Ibovespa as apostas de que o Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos) reduzirá, na quarta-feira, a projeção de altas de juros para o ano, aumentando a liquidez internacional. Diante disso, o dólar perdeu força e, no Brasil, fechou em queda de 0,76%, a R$ 3,79.

Para Luketic, a tendência é que o Ibovespa continue subindo, conforme a agenda reformista seja implementada no País. “A grande dúvida é o tamanho da diluição (da reforma).” A XP tem como cenário base a aprovação da reforma entre setembro e outubro, gerando uma economia para o governo de R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões em dez anos. Caso esse cenário se concretize, a estimativa é que o Ibovespa encerre 2019 na casa dos 125 mil pontos.

Apesar da marca simbólica dos 100 mil pontos, dados da Economatica indicam que, em dólares, a Bolsa está em 25.855 pontos, bem abaixo do seu maior patamar: 44.616, registrados em maio de 2008.

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