Ibovespa já perde 7% em 2013 e 'apaga' os ganhos obtidos no ano passado

Segundo analistas, expectativa é de que o principal índice da Bolsa brasileira ande 'de lado' neste ano, em parte por causa da provável alta da taxa básica de juros

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h05

A queda do Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) já beira os 7% este ano, o que praticamente corrói o ganho da Bolsa no ano passado. Em 2012, a valorização do índice foi de 7,4%. Nesse sobe e desce, a o mercado acionário caminha mais uma vez para repetir o que virou padrão nos últimos anos: 'andar de lado'.

O Ibovespa tem sido bastante prejudicado pelo mau desempenho das ações das empresas cujo peso é muito relevante no índice. Os papéis preferenciais da Petrobrás, por exemplo, acumulam queda de 12,1% neste ano. As ações preferenciais da Vale têm um resultado ainda pior: queda de 16,6% em 2013 (ver ao lado).

"O investidor brasileiro ficou mal acostumado nos últimos anos porque, no período de 2003 a 2008, a Bolsa praticamente subiu em linha reta", afirma André Massaro, consultor financeiro e especialista em finanças pessoais. "Depois do início da crise, em 2008, a Bolsa também subiu até meados de 2009. Mas, de lá para cá, está andando de lado."  

 

O que também tem pesado para um desempenho ruim da Bolsa é o baixo crescimento da economia. No ano passado, a estimativa do mercado é de que o Produto Interno Bruto (PIB) tenha ficado ao redor de 1%. Esse baixo crescimento - se confirmado - virá na sequência de outro resultado ruim. Em 2011, a economia brasileira cresceu pouco também, apenas 2,7%. Para 2013, a previsão do mercado é de que o PIB fique ao redor de 3%.

"A Bolsa também não tem subido porque o País tem frequentemente frustrado as previsões de crescimento", afirma Ricardo Almeida, professor de finanças do Insper.

O cenário adverso do Ibovespa não significa, porém, que o investidor não possa ter ganho no mercado de ações. Uma possibilidade, por exemplo, é adquirir papéis das empresas que pagam bons dividendos. "Sempre vale a pena o investidor procurar empresas que pagam bons dividendos, mas com cuidado. No ano passado, essa estratégia teve problemas por causa da empresas do setor elétrico", afirmou Massaro.

Os investidores que querem apostar num determinado segmento da economia também podem recorrer aos fundos de índices, conhecidos internacionalmente como Exchange Traded Funds (ETF) e negociados na BM&FBovespa. Existem, por exemplo, ETFs de empresas small caps (menor porte) e do setor de consumo, entre outros.

Juros. O investidor também deve ficar atento à possibilidade de alta de juro nos próximos meses por causa do aumento da inflação. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 - prévia da inflação oficial do País - foi de 0,68% em fevereiro. O resultado ficou abaixo da índice de janeiro (0,88%), mas acima do previsto pelo mercado. Em 12 meses, acumula 6,18%, perto do teto da meta (6,50%).

Se confirmado, o movimento de alta dos juros deve favorecer os investimentos em renda fixa e prejudicar ainda mais o desempenho da Bolsa. No mercado de ações, esse movimento pode trazer incerteza, sobretudo para o setor de varejo. Esse setor foi uma grande aposta nos últimos anos porque se mostrou resistente ao cenário internacional adverso. Manteve o crescimento com base no consumo interno do Brasil

"As ações varejistas estão com um índice de preço e lucro muito alto", disse Almeida, do Insper. "Uma consequente restrição de crédito com o aumento dos juros pode fazer o setor de varejo ajustar os preços."

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