Ibovespa lidera ranking pelo 5º ano

Mesmo com as fortes oscilações do mercado acionário ao longo de 2007, bolsa paulista tem ganho superior a 40%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

Se uma única palavra pudesse resumir o panorama do mundo financeiro em 2007, ela seria volatilidade. As incertezas sobre os desdobramentos da crise imobiliária dos Estados Unidos na economia do país e no resto do planeta provocaram intenso vaivém, principalmente nas bolsas de valores. Apesar das oscilações, o ranking brasileiro de investimentos, ao menos até o fim de novembro, tinha na liderança o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), como já havia ocorrido em 2003, 2004, 2005 e 2006. Entre janeiro e o dia 30 de novembro, o Ibovespa acumulava valorização de 41,67% (ver tabela ao lado)."Foi um ano bastante volátil para a renda variável, mas também cheio de oportunidades", define Herculano Aníbal Alves, superintendente-executivo de Renda Variável da Bradesco Asset Management (Bram). Uma fórmula usada pela própria Bovespa para medir a intensidade das oscilações traduz em números o tamanho do sobe-e-desce. Entre janeiro e outubro, o indicador - que não tem um nome específico - variou 26,25%, o maior porcentual desde 2004, quando atingiu 28,41%. Em 2006, a variação foi de 24,79% e, em 2005, de 23,92%. Em segundo lugar no ranking dos investimentos ficou o ouro, com alta de 15,63%. Embora não tenha a mesma liquidez do passado, o metal ainda é visto por muitos como um porto seguro em momentos de cenário nebuloso. Os fundos de renda fixa completaram o pódio de 2007, com rentabilidade média líquida de 9,03%. Na outra ponta da tabela ficou o dólar comercial, com perdas de 16,06%. Este é o quinto ano seguido que a moeda americana ocupa a lanterna do levantamento. Logo acima estavam os CDBs de até R$ 5 mil, com valorização de 6,77%. Outra característica marcante de 2007 foi a continuidade da migração dos investidores para produtos mais arriscados, com objetivo de embolsar um rendimento maior. Como já era esperado pelos especialistas, a taxa básica de juros (Selic) manteve a trajetória de queda, ainda que numa velocidade menor do que em 2006. A taxa iniciou o ano em 13,25% e deve terminar, segundo as projeções dos analistas, no mesmo nível em que está hoje: 11,25% ao ano. Os números da indústria de fundos de investimento são os que melhor traduzem essa movimentação dos investidores. No acumulado entre janeiro e outubro, os fundos multimercados (que mesclam diversos ativos, como ações, moedas e renda fixa) tiveram captação líquida positiva de quase R$ 30 bilhões. Nos fundos de ações, os depósitos superaram os saques em R$ 17,4 bilhões no período. Em compensação, os fundos referenciados DI, atrelados a papéis com juros pós-fixados, perderam R$ 12 bilhões. Os fundos de renda fixa, indexados a juros prefixados, ainda tiveram captação positiva de R$ 7,7 bilhões. Mas, em compensação, viram sua parcela em relação ao patrimônio total da indústria encolher de 35% para 32,7% entre 2006 e 2007. No sentido oposto, os fundos multimercados, que detinham 22,9% do patrimônio da indústria em dezembro de 2006, avançaram para 24,5% em outubro deste ano. Nesse mesmo intervalo, a fatia dos fundos de ações passou de 8,8% para 11,5%. REAÇÃO POSITIVASegundo analistas, os investidores brasileiros de varejo reagiram bem à volatilidade dos mercados, embora a maioria deles seja novata no ramo. "Percebemos um processo de amadurecimento bastante bom", diz Robert John van Dijk, diretor-superintendente da Bram. "Até mesmo em agosto, quando tivemos alguns dias de pânico, a reação foi muito boa", completa Marcelo Mello, vice-presidente da Sul América Investimentos.O radar dos especialistas prevê mais turbulências em 2008, talvez até mais fortes que as deste ano. "O melhor do atual ciclo da economia mundial já passou", alerta Pedro Bastos, principal executivo da HSBC Investments. "Ao contrário dos anos recentes, há ventos soprando contra", comenta.Por isso, avisa Márcio Appel, diretor-executivo da Santander Asset Management, "o grande teste para os investidores está por vir". O argumento dele é o de que o mercado acionário não enfrentou um período longo de desvalorização desde que o atual bom momento começou, em 2003. De lá para cá, observa, o que houve foram curtos picos de perdas. Exemplo disso foi a queda de quase 10 mil pontos do Ibovespa num intervalo de cerca de 40 dias entre os meses de julho e setembro, quando estourou a crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos EUA. O índice saiu de 58 mil pontos e foi até 48 mil pontos. Ali, começou a se recuperar até chegar ao nível atual, na faixa de 60 mil pontos. Appel reforça a idéia de que bolsa de valores deve ser um investimento de longo prazo. "Foi o que ocorreu neste ano: quem não se desesperou nos momentos difíceis e mirou o longo prazo conseguiu ganhar", observa. Moacyr Castanho, diretor-gerente de Fundos de Investimento do Banco Itaú, lembra que o investidor deve conhecer seus próprios limites antes de se expor a um risco maior. Ele também pondera que é preciso levar em conta as necessidades financeiras antes de definir o tipo de aplicação. "Se a pessoa vai ter um desencaixe logo, o investimento em bolsa não é adequado, pois ela pode ser obrigada a realizar um prejuízo caso o mercado esteja passando por um mau momento", exemplifica. RESSURREIÇÃOA queda da taxa Selic também teve influência nos números da caderneta de poupança, o produto de investimentos mais tradicional do País. A poupança registra captação líquida positiva há 14 meses seguidos - o último dado disponível é o de outubro, quando os depósitos superaram os saques em R$ 1,8 bilhão. É o período mais longo em que isso ocorre desde o início do Plano Real, em 1994.De acordo com os analistas, a poupança retomou sua atratividade por causa de dois fatores. O primeiro deles é a isenção da cobrança de Imposto de Renda, diferentemente do que ocorre com os fundos de investimento. O segundo é a taxa de administração elevada em muitos fundos, principalmente aqueles nos quais a aplicação inicial é baixa. FRASESRobert John van DijkDiretor da Bradesco Asset Management "Percebemos um processo de amadurecimento (do investidor) bastante bom"Marcelo MelloVice-presidente da Sul América Investimentos"Até mesmo em agosto, quando tivemos alguns dias de pânico, a reação foi muito boa"Márcio AppelDiretor da Santander Asset Management "Quem não se desesperou nos momentos difíceis e mirou o longo prazo conseguiu ganhar""O grande teste para o investidor ainda está por vir" Pedro BastosCEO da HSBC Investments"O melhor do atual ciclo da economia mundial já passou"

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