Ibovespa perde força e cai após fala de Bernanke

A bolsa brasileira caminhou devagar nesta quarta-feira, véspera de feriado nacional, com volume abaixo da média e atenções voltadas para os comentários do chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

22 de junho de 2011 | 17h50

Sem sinais sobre uma nova política de estímulo à economia dos Estados Unidos, os investidores preferiram manter a cautela e provocaram a baixa do Ibovespa.

O principal índice das ações locais recuou 0,37 por cento, a 61.194 pontos. O giro do pregão foi de 5,2 bilhões de reais, abaixo da média de 6,5 bilhões de reais em 2011.

"O mercado até ganhou um pouco de força ao longo do dia, e aqui a gente acompanhou. Mas depois começaram a sair dados sobre expectativas americanas, a fala do Bernanke, e os mercados engoliram boa parte da alta", disse Álvaro Bandeira, diretor da corretora Ativa.

Após manter o juro dos Estados Unidos perto de zero, Bernanke reconheceu que o crescimento dos Estados Unidos está mais lento que o imaginado, mas disse que a recuperação deve se acelerar à medida que se aproxime do final do ano.

Na sexta-feira, quando o mercado brasileiro volta do feriado, será conhecida a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre, o que deve manter a atenção dos investidores.

O voto de confiança do Parlamento da Grécia ao governo do país teve pouca repercussão nos negócios. A demonstração de apoio abre caminho para a realização das reformas fiscais exigidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para a ajuda financeira a Atenas, mas já havia sido precificada, segundo operadores.

DESTAQUES

Entre as ações com mais liquidez na Bovespa, Vale PNA avançou 0,46 por cento, a 43,85 reais, e Petrobras PN teve variação positiva de 0,09 por cento, a 23,26 reais.

Ações de construtoras foram o destaque negativo, mantendo a trajetória iniciada em 10 de junho, com o índice setorial em queda de cerca de 8,5 por cento desde o dia 9.

MRV foi a que mais sofreu no setor nesta quarta-feira, com perda de 3,91 por cento, a 13,01 reais.

A fabricante de bens de consumo Hypermarcas avançou 0,69 por cento, a 14,61 reais. Analistas do Bank of America Merrill Lynch destacaram que, após a queda de 50 por cento em relação a outubro, a ação está em um preço atraente e é uma das preferidas para os próximos 12 meses.

"A venda das problemáticas unidades de alimentos e de produtos de limpeza parece a caminho, e poderia gerar cerca de 500 milhões de reais", escreveram os analistas Robert Ford, Melissa Byun e Marcelo Santos, como um dos cinco motivos para a visão positiva sobre a empresa.

Banco do Brasil subiu 1,75 por cento, a 27,26 reais, e liderou a alta das ações de instituições financeiras.

O vice-presidente de novos negócios do banco, Paulo Caffarelli, disse à Reuters que a instituição deve superar 1 trilhão de reais em ativos neste ano.

Sobre o Ibovespa como um todo, pesquisa da Reuters com analistas mostrou que o índice deve avançar mais até o encerramento do ano, com a inflação sob controle e a economia global se recuperando, embora um possível default da Grécia possa deixar investidores apreensivos. A mediana das estimativas de 22 analistas é de Ibovespa a 71.650 pontos até o final do ano.

Tudo o que sabemos sobre:
BOVESPAFECHA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.