Suamy Beydoun/Agif
Suamy Beydoun/Agif

Ibovespa acentua queda após perda de fôlego nos Estados Unidos

Principais mercados acionários do globo despencaram no último pregão, com investidores temerosos sobre uma segunda onda de covid-19 nos EUA

André Marinho, Eduardo Gayer, Iander Porcella, Maria Regina Silva e Matheus Piovesana, O Estado de S. Paulo

12 de junho de 2020 | 10h49
Atualizado 12 de junho de 2020 | 16h35

Depois de ensaiarem uma recuperação no começo do pregão, as bolsas de Nova York pioraram na tarde desta sexta-feira, 12, o que acentuou a queda do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira (B3), que operava às 14h37 em queda de 3,26%, aos 91.598,40 pontos. Após o tombo de ontem no mercado acionário americano, investidores avaliam as possibilidades de uma segunda onda de infecções por covid-19 e digerem declarações do Federal Reserve, o banco central americano. Com isso, a B3 poderá ter a primeira semana de baixa após três seguidas de alta. 

Há pouco, o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin, chamou atenção para o endividamento gerado pela crise e disse que muitos empregos podem nunca voltar. Às 14h47 (de Brasília), o Dow Jones caía 0,02%, o S&P 500 recuava 0,26% e o Nasdaq registrava baixa de 0,45%.

Barkin afirmou que ainda há incerteza no lado fiscal e na questão de saúde da pandemia de coronavírus. "Não devemos deixar de lado a consequência do endividamento recente", disse o dirigente, em evento virtual. Na visão dele, se houver uma vacina, é concebível que a maior parte dos empregos voltará. Para ele, no entanto, se o vírus da covid-19 persistir por anos, alguns setores da economia terão menos vagas de trabalho.

Em Nova York, as bolsas arrefeciam os ganhos para a faixa máxima de 0,70%. Já o Fed Listens avalia que será difícil para muitas famílias pagar contas após fim de ajuda do governo.

Após a abertura da B3, as principais ações do Ibovespa operaram em queda, sendo a maior delas para a Ambev (ON), que cai 3,72%. Petrobras (ON) vem logo em seguida, com baixa de 3,68%, e a ação (PN) cai 3,64%. Itaú Unibanco (PN) cai 2,90%, e Bradesco (PN) recua 2,61%, enquanto a ação (ON) baixa 3,73% e Vale (ON) cai 1,1%. 

Os papéis se ajustam às fortes perdas dos ativos brasileiros ontem em Nova York, enquanto a B3 estava fechada por conta do feriado de Corpus Christi. Os American Depositary Receipts (ADRs) do Itaú caíram 7,84%, e os da Ambev, 6,38%. 

As ações da Petrobras tiveram tombo de 9% os da Vale também caíram forte, 6,99%, mas notícias como a de decisão favorável à mineradora em processo que pede R$ 7,9 bilhões em garantias relacionadas à tragédia de Brumadinho (MG) e a da alta do minério de ferro na China amenizam as perdas.

Ainda no cenário interno, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), decidiu devolver a medida provisória que permite ao governo escolher reitores temporários para universidades federais durante o período da pandemia do novo coronavírus no País. Na prática, a decisão de Alcolumbre comunicada via Twitter anula os efeitos da MP assinada pelo presidente Jair Bolsonaro e publicada na edição des quarta-feira, 10, do Diário Oficial da União.

Desde o começo do dia, os mercados acionários americanos tentam se recuperar após um dia de robustas perdas. Ontem, a aversão ao risco derrubou bolsas em todo o mundo, com temores de que a ressurgência do coronavírus nos EUA possa atrasar a já incerta recuperação da economia.

Na Ásia, o índice Sanghai SE ficou praticamente estável, com pequena variação negativa de 0,04% e o Hang Seng Index, de Hong Kong, recuou 0,73%. Já o Nikkei 225, de Tóquio, registrou variação negativa de 0,75%. / COM REUTERS

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