Gabriela Biló/Estadão
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Bolsa recupera 100 mil pontos e dólar fecha a R$ 4,17, maior cotação em quase um ano

Valorização das ações no Brasil acompanhou movimento nas bolsas americanas; resultado do PIB do segundo trimestre foi bem recebido

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 16h10
Atualizado 29 de agosto de 2019 | 21h01

O dólar chegou a encostar em R$ 4,18 nesta quinta-feira, 29, em sessão que prometia ser marcada por estresse, após a Argentina pedir mais prazo aos credores para pagar suas dívidas.

Mas a alta perdeu um pouco de força na parte da tarde e voltou a acelerar os ganhos apenas perto do fechamento. A moeda terminou com valorização de 0,31%, a R$ 4,1709, maior cotação em 350 dias (em setembro do ano passado, o dólar atingiu a maior cotação desde o Plano Real). Em agosto, o dólar acumula ganho de 9,2%.

No mercado de ações, o avanço de 0,4% do PIB no segundo trimestre (de 0,2% e acima da mediana das estimativas), em dia de alívio no exterior, abriu espaço para uma alta firme da bolsa, que retomou o nível de 100 mil pontos. Sustentado por papéis ligados a commodities, varejo e bancos, o Ibovespa avançou 2,37%, aos 100.524,43 pontos.

Lá fora, os principais índices norte-americanos tiveram alta entre 1,25% e 1,50%, diante da melhora de percepção nas negociações entre China e Estados Unidos e com a sinalização de mais estímulos pelo Banco Central Europeu (BCE).

Terminou nesta quinta a primeira rodada de vendas de reservas internacionais pelo Banco Central em conjunto com operação de swap reverso (uma espécie de compra de dólar no mercado futuro). Hoje foram vendidos US$ 545 milhões no mercado à vista. Para agentes do mercado, essa estratégia junto com outras operações de oferta de moeda dos últimos dias, como o leilão de linha surpresa de anteontem, foram eficientes em evitar depreciação mais forte do real.

Para o gestor da TAG Investimentos, Dan Kawa, o BC quis dar esta semana um sinal de que o dólar no nível de R$ 4,20 incomoda e ainda mostrar que tem "munição" para suavizar oscilações mais fortes. Ao não anunciar o tamanho da intervenção anteontem, como não fazia há dez anos, Kawa ressalta que o BC evitou dar previsibilidade ao mercado, o que é "prudente" neste momento. 

"O BC está sendo bem sucedido. O real deixou de ser nos últimos dias o destaque negativo de desempenho nos emergentes", destaca um outro gestor de recursos. Para este executivo, o dólar só cairia de forma mais consistente do patamar atual se a moeda americana se desvalorizar lá fora, o que parece difícil de acontecer, considerando que indicadores de atividade de países desenvolvidos estão vindo mais fracos que o previsto e os emergentes, como classe de ativos, não estão em um bom momento, o que segue estimulando a busca por segurança. 

Nesta sexta-feira, deve ganhar força a disputa pela definição da taxa Ptax de agosto, que serve como base de referencial para contratos cambiais. Hoje os comprados (que apostam na alta do dólar) pressionaram as cotações, o que segundo operadores contribuiu para o movimento de alta perto do fechamento do mercado à vista.

Mesmo com a piora do risco na Argentina, com o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos encostando em 4 mil pontos, aqui o CDS operou relativamente estável, em 140 pontos. A avaliação de operadores é que investidores estão sabendo diferenciar as duas economias. No câmbio, o efeito de Buenos Aires chegou a pressionar as cotações aqui mais cedo, com investidores realocando carteiras e buscando caixa, mas o movimento se dissipou.

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