Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa fecha na máxima histórica em primeiro pregão no governo Bolsonaro

Noticiário local fez Bolsa ter forte alta de 3,56% e atingir recorde no valor nominal de fechamento, aos 91.012 pontos; ação da Eletrobrás dispara e fecha em alta de 20,72%; dólar terminou o dia em queda de 1,83%, cotado a R$ 3,80

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2019 | 12h07
Atualizado 02 de janeiro de 2019 | 22h35

No primeiro pregão do ano – e primeiro após a posse de Jair Bolsonaro –, a Bolsa brasileira viveu dia de euforia e bateu recorde, ao ultrapassar os 91 mil pontos. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 3,56% – impulsionado pelo bom humor com as declarações da nova equipe econômica. O otimismo também alcançou o dólar, que descolou das demais moedas emergentes e recuou 1,83%, cotado em R$ 3,8046 – menor patamar desde 21 de novembro. 

O principal motivo para a euforia no mercado foi o fechamento de apoio da bancada do PSL, partido de Bolsonaro, à reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a Presidência da Câmara dos Deputados. Na avaliação dos investidores, se confirmada, a medida poderá facilitar a tramitação de agendas importantes para o governo, em especial a reforma da Previdência.

“Surpreendeu, logo após a posse de Bolsonaro, o anúncio do apoio do PSL à reeleição de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara”, disse Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante Ideias de Investimento. “Um dos medos do mercado era de que o governo não conseguiria negociar com a base, mas ele demonstrou habilidade política”, acrescentou.

O discurso do ministro da Economia, Paulo Guedes, durante a cerimônia de transmissão de cargo também foi positivo. Guedes afirmou que é preciso fazer a descentralização de recursos para Estados e municípios, de forma que o Brasil reassuma característica de República Federativa. O ministro destacou ainda que a reforma da Previdência é a principal prioridade do governo e também defendeu a agenda de privatizações. 

O discurso ajudou a turbinar as ações das estatais, que foram o grande destaque da Bolsa. A Eletrobrás fechou o dia em alta de 20,72% (ON) e 14,52% (PNB), com uma série de sinalizações positivas para o futuro da companhia. Entre as boas notícias para a empresa, na leitura do mercado, está a confirmação de Wilson Ferreira Junior na presidência da estatal. Em seu discurso de posse, o novo ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque, afirmou que dará prosseguimento ao processo de capitalização da estatal, trabalho que já vem sendo conduzido por Ferreira Junior.

Banco do Brasil e Petrobrás tiveram desempenho mais modesto comparado a Eletrobrás, mas também positivo. As ações ordinárias do BB subiram 4,54% e da petroleira, 4,92%. Os papéis preferenciais da Petrobrás avançaram 6,08%. As ações de empresas privadas também acompanharam a escalada dos preços. Bradesco subiu 4,5% (PN) e Itaú, 4,25% (PN).

Na esteira da política mais favorável à liberação da posse de arma do novo governo, as ações da Forjas Taurus lideraram entre as maiores altas do mercado. As ações ordinárias da empresa tiveram um salto de 50,52% e as preferenciais, de 47,65%. Antes de ser empossado presidente, Bolsonaro havia afirmado, via Twitter, que liberará a posse de arma de fogo por meio de um decreto, assim como tornará o registro da arma definitivo. A expectativa é que a medida saia nos próximos dias.

Com o bom humor em relação ao novo governo, o mercado financeiro ignorou o movimento externo, com desvalorização das moedas emergentes e volatilidade nas bolsas americanas. Na avaliação de Hersz Ferman, economista da Elite Corretora, as perspectivas de sucesso com o novo governo, após o discurso de posse do novo presidente, contribuem para a “descolada” do mercado brasileiro do exterior. 

“O mercado está bastante confiante na nova equipe econômica e seu viés pró-mercado, com foco em desburocratização e ajuste das contas públicas”, avalia Ferman.

Lá fora, o dólar se valorizou ante a maior parte dos emergentes. A alta dos preços futuros do barril do petróleo acima de 2% ajudou os países exportadores de commodities. O maior impulsionador do real, no entanto, foi o bom humor interno em relação às expectativas para a economia com o novo governo. 

“Existe uma renovação de expectativas, um otimismo maior sobretudo em relação à possibilidade de avanço na reforma da Previdência”, aponta o economista-chefe da Guide Investimentos, Victor Candido.

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