Ibovespa sente cautela de estrangeiro e cai 4% no mês

A cautela dos estrangeiros com a bolsa local e as incertezas sobre a política econômica do governo pesaram sobre o mercado em janeiro, colocando o Ibovespa no menor nível em mais de três meses.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

31 de janeiro de 2011 | 19h05

O principal índice das ações brasileiras recuou 0,18 por cento, para 66.574 pontos, no menor patamar de fechamento desde setembro. O giro financeiro do pregão foi de 6,558 bilhões de reais.

Este foi o quarto dia seguido de baixa do Ibovespa, que têm mostrado um desempenho inferior ao dos mercados norte-americanos. Em janeiro, o índice recuou 3,94 por cento.

A curva do Ibovespa no mês acompanhou o comportamento do investidor estrangeiro. Nas duas primeiras semanas, com mais de 2 bilhões de reais em compras líquidas de ações por investidores não-residentes, o índice chegou a beirar os 72 mil pontos. Quando o saldo caiu pela metade, ao fim do mês, o Ibovespa assumiu uma tendência negativa e caiu abaixo da média móvel dos últimos 200 dias --um importante nível gráfico.

"Os estrangeiros não têm vindo às compras no mercado. Eles veem que a possibilidade de prêmio lá fora é muito maior do que aqui", disse Rodrigo Nassar, operador da Vetorial Asset.

De acordo com comentário do Merrill Lynch a clientes, o mercado local tem sido afetado pela preocupação com possíveis medidas do Banco Central para conter a inflação e o impacto dessas ações sobre o crédito.

Logo após o aumento de 0,5 ponto da taxa básica de juro na metade de janeiro, analistas já diziam que o mercado local, especialmente ações de consumo, construção civil e bancos, estaria sensível a sinais de que o aperto monetário pode ser maior do que o atualmente estimado.

"O corte de gastos é essencial", afirmou Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros, em referência ao contingenciamento que será anunciado pelo governo entre 10 e 12 de fevereiro. Quanto maior o corte de despesas, menor a necessidade de sucessivas altas do juro.

Na agenda internacional, fevereiro começa com destaque para o relatório de emprego dos Estados Unidos, na sexta-feira. Enquanto isso, os investidores também estão atentos ao aperto monetário na China, ao desenrolar da crise de dívida na Europa e aos protestos no Egito.

As bolsas norte-americanas, que têm rondado os maiores níveis em mais de dois anos, já deram sinais de cansaço na sexta-feira passada, com uma forte realização de lucros em meio às incertezas no Oriente Médio. Um novo sinal negativo no exterior pode ser o gatilho para uma correção mais ampla.

"O momento ainda reflete um sentimento de aversão ao risco, o que pode significar mais volatilidade nas bolsas de valores", afirmou a corretora SLW, em relatório.

O mercado também assiste este mês à divulgação de balanços corporativos, iniciada nesta segunda-feira pelo Bradesco. Para Nassar, da Vetorial Asset, os números devem vir "bastante positivos, mas sem surpresas."

"Os bons balanços já estão precificados", afirmou.

Entre as ações com maior liquidez, Petrobras PN subiu 1,57 por cento nesta segunda-feira, para 27,09 reais. A Vale PN caiu 0,12 por cento, para 50,99 reais, e OGX despencou 4,18 por cento, a 17,21 reais.

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