Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Ibovespa sobe e busca 106 mil pontos com sinal de tranquilidade nas estradas

O dólar também chegou a máxima a R$ 5,6806 (+0,62%) no mercado à vista após fala do presidente Jair Bolsonaro

Maria Regina Silva, Isadora Duarte e Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 14h51

O Ibovespa acentuou a velocidade de alta há instantes, subindo acima de 2% e tentando mirar os 106 mil pontos. Em boa medida, a valorização tem como principal destaque as ações da Petrobras, que têm participação de cerca de 7,5% na composição do índice, em meio a notícias de certo esvaziamento da greve dos caminhoneiros. Nesta segunda-feira, 1, o dólar também  chegou a máxima a R$ 5,6806 (+0,62%) no mercado à vista diante de manifestações do presidente da República.

O acesso ao Porto de Santos, por exemplo, é "normal", sem retenção ao tráfego. Conforme o Ministério da Infraestrutura não há registro de nenhuma ocorrência de bloqueio parcial ou total em rodovias federais ou pontos logísticos estratégicos. Ao mesmo tempo, a Petrobras convidou jornalistas para seminário sobre preços dos combustíveis e contribuição social. "O fato de o abastecimento não estar correndo risco, por ora, contribui para o otimismo", diz um operador.

 Às 13h55, o Ibovespa subia 2,40%, aos 105.985,52 pontos, na máxima intraday. Petrobras PN tinha alta de 2,68% e ON avançava 4,05%. Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que os preços dos combustíveis serão majorados em cerca de 15 a 20 dias. Contudo, a maior valorização era Banco Inter, com Unit subindo 15,21% e PN avançando 13,65%, após informação de que o seu concorrente Nubank distribuirá BDRs a clientes após a realização de sua oferta inicial de ações (IPO) na Nyse.

Câmbio

O dólar testou máxima a R$ 5,6806 (+0,62%) no mercado à vista, após o presidente Jair Bolsonaro voltar à carga contra a Petrobras. Bolsonaro afirmou que sabe, extraordinariamente, que a petrolífera anunciará reajuste dos combustíveis em 15, 20 dias, mas que novo reajuste 'não pode acontecer'.

O responsável pela área de câmbio da Terra Investimentos, Vanei Nagem, afirma que o mercado opera com liquidez baixa e sob cautela em véspera de feriado local, amanhã, quando outros mercados no exterior vão continuar operando. Nagem afirma que as novas declarações de Bolsonaro sobre a Petrobrás apoiam o desconforto com a possibilidade de ingerência sobre a política de preços da estatal. "Privatizar a Petrobras não é bem assim e a insistência da fala mostra que Bolsonaro esta tentando pressionar o presidente da Petrobras ao mesmo tempo em que tenta acenar e agradar com discurso os caminhoneiros", avalia. "Com popularidade do presidente em queda e Congresso apoiando derrotas do presidente, principalmente no Senado, a privatização dificilmente passaria", afirma.

A votação da PEC dos Precatórios já foi adiada três vezes na Câmara, cita como exemplo das dificuldades do governo. A sorte do Planalto é que a greve de caminhoneiros parece ter pouca adesão, não é um movimento nacional forte, comenta. O temor de inflação alta e crescimento baixo, conforme projeções trazidas pela Pesquisa Focus, hoje, ajuda também a apoiar o dólar, afirma. Para Nagem, a alta dos juros dos Treasuries contribui ainda para o impulso do dólar frente o real, com investidores internacionais se preparando para o esperado anúncio do Federal Reserve (Fed), na quarta-feira, de remoção de estímulos monetários - processo conhecido como "tapering".

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