Ibovespa sobe nesta 6a, mas juro desanima bolsa à frente

A incerteza sobre a intensidade da alta dos juros e sobre o controle das expectativas da inflação continuou a golpear o Ibovespa em abril, afetando a bolsa brasileira em um cenário já pouco favorável aos mercados de ações emergentes.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

29 de abril de 2011 | 17h50

A dificuldade do índice em se sustentar perto de 70.000 pontos --agravada por questões relacionadas a importantes empresas para a bolsa, Petrobras e OGX-- deve continuar ao longo de maio, de acordo com analistas, que preveem volatilidade e salientam a falta de entusiasmo dos investidores estrangeiros.

O Ibovespa acabou abril em baixa de 3,6 por cento, a 66.132 pontos, mesmo com a alta de 0,7 por cento nesta sessão. O giro deste pregão foi de 6,7 bilhões de reais.

Ao longo do mês, os investidores estrangeiros retiraram 1,15 bilhão de reais da Bovespa, em dados referentes até o dia 27. A bolsa brasileira é parte de um movimento mais amplo, em que os mercados desenvolvidos --especialmente os Estados Unidos-- se beneficiam de um ensaio de recuperação econômica ao mesmo tempo em que bolsas emergentes, como a China, hesitam.

Dados da EPFR Global mostram que, no ano até 27 de abril, os fundos de ações em todo o mundo receberam 57 bilhões de dólares em termos líquidos, melhor resultado desde 2006. Os emergentes, porém, tiveram no mesmo período uma saída de 7,4 bilhões de dólares.

"O fluxo emergente continua em modo de 'venda'", afirmaram analistas do Bank of America Merrill Lynch, comentando os dados da EPFR em relatório.

No ano até aqui, o índice Standard & Poor's 500, de Nova York, subiu 8,4 por cento, perto das máximas desde 2008. No mesmo período, o Ibovespa tem baixa de 4,6 por cento.

"Talvez nós tenhamos tido muita euforia com o país", disse Roberto Padovani, estrategista-chefe do banco WestLB do Brasil. "Como o Brasil está 'caro', as pessoas estão pensando em embolsar os lucros", acrescentou.

Fatores locais conspiram para que a bolsa brasileira tenha um desempenho ainda mais fraco. A perspectiva de que o Banco Central adote uma estratégia de duração mais longa para combater a inflação, por exemplo, torna a aplicação em renda fixa mais atraente em relação à bolsa, já que na visão de alguns analistas implica em juros maiores no final.

"Há um ano nós tínhamos (a taxa de juros a) 8,75, hoje temos 12 por cento. É considerável essa mudança de patamar", argumentou Rossano Oltramari, analista da XP Investimentos.

"O Ibovespa tem operado entre 64 mil e 70 mil (pontos). Não vejo um trigger (causa) para perder essas pontas", completou.

Contratempos para duas importantes empresas do Ibovespa também pesaram sobre o desempenho final do índice em abril.

Petrobras despencou 10,2 por cento no mês, terminando a 25,60 reais, em meio à indefinição a respeito de um reajuste da gasolina diante da alta internacional do petróleo. Chegou a ser levantada a hipótese de uma redução na Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) para dar espaço a um aumento do combustível.

O caso da OGX Petróleo foi mais dramático. A empresa de Eike Batista desabou 14,05 por cento no mês, a 16,89 reais, após um relatório sobre as reservas da companhia decepcionar muitos investidores, que veem uma menor probabilidade de geração de receita a partir do petróleo no curto prazo.

Um fator que pode impulsionar as ações, no entanto, é a temporada de divulgação de resultados, concentrada na primeira quinzena de maio. Nesta sexta-feira, o balanço trimestral ajudou Lojas Renner a subir 2,82 por cento, a 58,05 reais. Os números do trimestre passado, porém, prejudicaram a ação preferencial da Oi, que teve baixa de 1,5 por cento, a 26,27 reais.

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