Werther Santana/Estadâo
Werther Santana/Estadâo

Com Previdência, Ibovespa tem novo recorde, fechando acima dos 104 mil pontos

Perspectiva de votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara já na próxima semana animou investidores; dólar subiu sob pressão do exterior

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2019 | 15h14
Atualizado 05 de julho de 2019 | 19h08

O Ibovespa se descolou das Bolsas de Nova York e atingiu nível recorde de fechamento nesta sexta-feira, 5, refletindo o otimismo dos investidores com a reforma da Previdência, depois de a proposta ter sido aprovada na quinta-feira, 4, na Comissão Especial da Câmara e prever uma economia fiscal próxima a R$ 1 trilhão em dez anos.

O índice da B3 terminou o dia aos 104.089,47 pontos, com alta de 0,44%. Na semana, a Bolsa brasileira acumulou valorização de 3,09%, impulsionada principalmente pelo avanço das mudanças nas regras de aposentadoria no Congresso - em todo o mês de junho, a Bolsa subiu 4,06%.

Depois de fechar a quinta-feira abaixo dos R$ 3,80, o dólar subiu 0,49% nesta sexta, sendo cotado a R$ 3,8181, acompanhando o movimento global da moeda americana por causa da divulgação da geração de empregos nos Estados Unidos -  foram 224 mil novas vagas em junho, acima do esperado, o que, na visão do mercado, reduziu as chances de uma queda dos juros americanos em 0,50 ponto neste mês.

O impacto da reforma da Previdência

Segundo a analista-chefe da Coinvalores, Sandra Peres, o Ibovespa foi sustentado nesta sexta pela expectativa de sucesso da reforma da Previdência. Ela lembrou que comentários feitos pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, na quinta, dando conta de que haverá uma série de medidas para reanimar a economia após a aprovação da reforma animaram os investidores. "A ideia de avanço das reformas, estímulos e privatização abriria espaço para retomada da economia", diz Sandra, ressaltando que ainda há possibilidade de redução da taxa Selic, o que reforça o apelo da renda variável

Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, porém, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, avaliou a aprovação da reforma na Comissão Especial como "a primeira vitória", mas procurou não vinculá-la a qualquer decisão futura sobre a Selic, a taxa básica de juros. "Não há relação mecânica entre reformas e juros", disse Campos Neto.

presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reafirmou nesta sexta-feira a intenção de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência em plenário já na próxima semana. Ele disse que vai começar a trabalhar pela apreciação do texto a partir deste sábado.

Segundo o deputado, para que não haja risco de derrota, é preciso ter um quórum de 495 e 500 deputados na sessão de votação. Em uma contagem prévia, Maia espera um placar de mais de 340 votos favoráveis à reforma, o que traz uma margem de segurança para a votação, já que são necessários 308 votos para aprovar uma emenda constitucional.

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