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Dólar se firma em baixa após Fed anunciar mais injeção de liquidez

O Ibovespa até ensaiou romper o teto dos 105 mil pontos no início da tarde, mas acabou solapado por um novo foco de tensão na guerra comercial entre China e Estados Unidos

Luciana Xavier e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2019 | 11h40
Atualizado 20 de setembro de 2019 | 18h40

O noticiário externo trouxe volatilidade ao mercado cambial nesta sexta-feira, que começou com as mesas de câmbio ainda repercutindo o corte de juros do Banco Central.

No mercado à vista, o dólar chegou a subir a R$ 4,18 e a cair a R$ 4,14, ora repercutindo notícias da imprensa americana de que a China cancelou visitas a fazendas americanas, o que aumentou o temor sobre as negociações comerciais com a Casa Branca, ora a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de prosseguir na semana que vem com as recompras bilionárias de títulos para dar liquidez ao sistema americano.

O dólar à vista fechou em baixa de 0,22%, a R$ 4,1537. Na semana, o dólar teve valorização de 1,64%. Nas últimas dez semanas, a moeda americana subiu em oito delas.

Operadores relataram que nesta sexta-feira estrangeiros fizeram reforço importante de posições compradas no mercado futuro de câmbio.

Os relatos são de que dois grandes americanos montaram posição comprada de 22 mil contratos, o equivalente a US$ 1,2 bilhão, nesta sexta-feira. Os números oficiais das operações de hoje só serão conhecidos na segunda-feira. No mercado futuro, o giro ficou em US$ 20 bilhões hoje. O dólar para outubro caía 0,40%, a R$ 4,1540 às 17h15.

O reforço das posições defensivas pelos estrangeiros ocorre um dia depois de grandes fundos locais de investimento reduzirem as posições vendidas em dólar, apostas que ganham com a queda da moeda americana.

Na quinta-feira, 20, estes fundos diminuíram estas posições em 31,4 mil contratos, ou US$ 1,6 bilhões, de acordo com dados da B3, uma sinalização de que não espera que a moeda americana caia de forma consistente no curto prazo.

Os investidores estrangeiros já têm US$ 40 bilhões de posições compradas na B3, um dos maiores níveis dos últimos meses e fator que tem dificultado a queda do dólar, ressalta um gestor carioca.

Fed

Nos EUA, a unidade de Nova York do Fed informou que fará uma série de operações de acordos de recompra ("repo") de títulos de curto prazo (overnight) e a termo para ajudar a manter a taxa dos Fed funds dentro da faixa estipulada pela instituição. Serão colocadas três operações a termo de ao menos US$ 30 bilhões cada, além das ofertas diárias de operações de recompra overnight de ao menos US$ 75 bilhões cada, até dia 10 de outubro.

Essa operação do Fed, na prática, aumenta a liquidez do mercado e pode significar mais recursos para o Brasil. Mas com a redução de juros aqui, o mercado ficou menos atrativo para este investidor, relata um diretor de tesouraria.

Bolsa

Na ausência de indicadores domésticos de peso e já absorvido o impacto da sinalização do Copom de mais corte de juros, o mercado acionário brasileiro oscilou nesta sexta-feira ao sabor do noticiário sobre as negociações comerciais entre China e Estados Unidos e de ajustes técnicos de posições.

Apesar da falta de fôlego para se firmar acima do patamar dos 105 mil pontos, o Ibovespa conseguiu se descolar do sinal negativo das bolsas americanas ao longo da tarde e fechar no azul, graças ao bom desempenho dos bancos.

Com mínima de 103.913,50 pontos e máxima de 105.044,50 pontos, o principal índice da B3 terminou o dia em alta de 0,46%, aos 104.817,40 pontos. O volume negociado foi expressivo, de R$ 22,3 bilhões. Com os ganhos desta sexta-feira, o Ibovespa encerrou a semana com valorização de 1,27%.

Na quinta-feira, no pós-Copom, o índice chegou a flertar com o recorde histórico (105,817,06 pontos, em 10 de julho), quando chegou a ser negociado acima dos 106 mil pontos.

Depois do tombo de quinta, os papéis de bancos se recuperaram nesta sexta-feira e, ao lado das ações de consumo, garantiram a alta do Ibovespa.

Um avanço discreto de Vale ON (0,21%) e Petrobras ON (0,26%), na reta final dos negócios, ajudou a consolidar o sinal positivo do índice.

A ação ON do Bradesco fechou em alta de 3,34%, e a PN, de 1,76%. Os papéis do Itaú - com maior peso individual na carteira teórica (9,10%) - subiram 0,26%.

Do lado negativo, as ações da ON e PN da Eletrobrás lideraram as baixas na carteira teórica, com perdas superiores a 5%, na esteira de dúvidas sobre a privatização da companhia. Ontem, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que a Casa não tem disposição em aprovar um projeto para privatizar a Eletrobrás.

O Ibovespa até ensaiou romper o teto dos 105 mil pontos no início da tarde, mas acabou solapado por um novo foco de tensão na guerra comercial entre China e Estados Unidos, que levou a um aprofundamento das perdas em Nova York. Circularam notícias, atribuídas a uma associação de agricultores de Montana, de que uma delegação chinesa teria cancelado uma visita que faria a propriedades rurais.

Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que não busca um entendimento parcial com a China, mas um acordo comercial completo. Segundo o republicano, o seu governo poderia chegar a um pacto com o país asiático "muito rapidamente", mas ele prefere "fazer a coisa do jeito certo".

 

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