Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Ibovespa tem dia de perdas, mas escapa da 'maldição de maio' com alta de 0,70% no mês

Acompanhando movimento do exterior, o dólar fechou a semana cotado a R$ 3,9255, no menor valor desde 30 de abril

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2019 | 18h37

O dólar fechou esta sexta-feira, 31, cotado a R$ 3,9255, com queda de 1,33%, na menor cotação desde 30 de abril. Na semana, a moeda americana acumulou queda de 2,23% e, em maio, leve avanço de 0,11%. O real acompanhou o comportamento do câmbio no exterior, em meio à escalada protecionista do governo do presidente americano, Donald Trump, que na quinta-feira, 30, anunciou a imposição de tarifas a produtos do México até que cesse a imigração ilegal nos Estados Unidos.

O Ibovespa chegou a subir durante o dia, mas não resistiu ao mau humor externo e terminou com perda de 0,44%, aos 97.030,32 pontos, influenciada, sobretudo, pelo recuo de mais de 2% das ações da Petrobrás.

Entretanto, o índice da B3, a Bolsa brasileira, conseguiu se livrar da "maldição do mês de maio" - após ter caído em todos os meses de maio desde 2010, o Ibovespa terminou o mês com ganho de 0,70% - e de 3,63% na semana -, embalado pela melhora do cenário político, com as perspectivas positivas para a reforma da Previdência.

Outro fator que influenciou o comportamento do índice nos últimos dias é a expectativa de corte da Selic nos próximos meses, diante da economia fraca e da inflação comportada.

O real foi uma das moedas que mais ganharam força ante o dólar no mercado financeiro internacional, dia em que a moeda americana subiu fortemente no México (+2,32%). Com agenda local esvaziada, profissionais de câmbio observaram que o anúncio de Trump acabou beneficiando o real.

A escalada da tensão comercial na economia mundial aumentou a probabilidade de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) corte os juros este ano, destacaram na tarde desta sexta-feira os analistas do Bank of America Merrill Lynch.

O movimento pode enfraquecer o dólar e favorecer as moedas de emergentes, na medida em que os investidores podem buscar ativos de maior rentabilidade nestas regiões. Este, aliás, foi um dos fatores que provocou a queda do dólar nesta sexta. O DXY, que mede o desempenho da moeda americana ante uma cesta de divisas fortes, recuava 0,40% no final da tarde. 

Maldição de maio

Mesmo com a queda desta sexta, o Ibovespa escapou da "maldição de maio" e encerrou o mês em alta de 0,70%. Um resultado positivo em maio não acontecia desde 2009, quando subiu 12,49%.

Embora aparentemente tímido, o ganho mensal este ano teve gosto de vitória entre analistas e operadores, uma vez que as Bolsas internacionais encerraram o mês com quedas bastante expressivas. Em Nova York, os índices Dow Jones, S&P-500 e Nasdaq amargaram prejuízos de mais de 6% em maio. O MSCI Emerging Markets, que acompanha a variação das Bolsas de 24 países emergentes, caiu 7,29% no período.

Maio também foi marcado por uma inversão de expectativas no mercado em relação à reforma da Previdência. No último dia 17, o Ibovespa perdeu o patamar dos 90 mil pontos, tendo queda de 6,6%. Naquele momento, pesavam as dúvidas quanto à capacidade de articulação do governo no Congresso em prol da reforma. A recuperação veio em seguida, alimentada pela mudança de postura de integrantes dos Poderes Legislativo e Executivo, mais proativa e conciliadora. Manifestações populares contra e pró-governo também marcaram o período.

"Terminamos maio com a percepção de que a reforma da Previdência tem 80% de chances de passar em tempo oportuno e próxima da economia desejada pelo ministro Paulo Guedes. Se tudo correr bem, terminaremos junho aumentando essa expectativa para 90%", disse Ariovaldo Ferreira, gerente de mesa de renda variável da H.Commcor.

Para ele, o desempenho do índice em maio foi bastante razoável, considerando a aversão ao risco no exterior, com Estados Unidos e China travando um embate nas suas relações comerciais.

"Se o cenário político seguir favorável e o exterior não causar grandes transtornos, junho será o mês em que o Ibovespa voltará a tocar os 100 mil pontos. Para isso, basta subir mais 3%", observa Ferreira.

Na máxima do dia, o Ibovespa alcançou os 97.992,31 pontos, em alta de 0,55%. Na mínima, desceu até os 96.792,40 (-0,68%). A queda do dia foi determinada principalmente pelas ações de empresas de commodities, que refletiram o temor de guerras comerciais e recessão global. Com o petróleo registrando quedas de até 5% no mercado externo, as ações da Petrobrás terminaram o dia com baixas de 2,15% (ON) e de 2,29% (PN). Vale ON perdeu 2,02%.

Os papéis do setor financeiro também se renderam à realização de lucros recentes, após ganhos significativos no acumulado do mês. Itaú Unibanco PN caiu 0,23% no dia, mas contabilizou alta superior a 3% em maio.

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