Ibovespa volta a cair por temor com Espanha e Grécia

A Bovespa reduziu as perdas na hora final do pregão, mas não escapou de outra queda nesta segunda-feira, com investidores temerosos com a perspectiva de que a Espanha precise pedir um resgate soberano integral e de que a Grécia venha a deixar a zona do euro.

DANIELLE ASSALVE, Reuters

23 de julho de 2012 | 18h11

O Ibovespa recuou 2,14 por cento, a 53.033 pontos, marcando o segundo pregão seguido de baixa. Na mínima intradia, o índice chegou a cair 3,66 por cento, a 52.212 pontos. O giro financeiro do pregão foi de 5,4 bilhões de reais.

A preocupação com o futuro dos países europeus voltou a afugentar investidores das bolsas e motivar a busca por ativos mais seguros, como os títulos do Tesouro norte-americano.

"Vimos uma fuga de risco muito grande hoje", disse um operador de uma corretora paulista que pediu para não ser identificado. "Depois de uma realização no mercado na sexta-feira, hoje predominou aquele sentimento de que a situação da Espanha pode ser pior do que se imaginava."

A notícia de que a região espanhola da Múrcia estaria pronta para seguir os passos de Valência e pedir socorro financeiro do governo central assustou o mercado. Segundo a imprensa local, mais 6 regiões estariam prestes a fazer o mesmo.

A preocupação com a capacidade da Espanha honrar suas dívidas voltou à tona, após os rendimentos dos títulos da dívida espanhola de 10 anos chegarem a 7,596 por cento, nível mais alto desde a criação do euro, em 1999.

O futuro da Grécia na zona do euro também voltou a preocupar, após reportagem veiculada na revista alemã Der Spiegel, no fim de semana, ter afirmado que o Fundo Monetário Internacional (FMI) poderia deixar de apoiar o país. A notícia foi refutada pelo fundo nesta segunda-feira.

O temor de que uma saída da Grécia da zona do euro resulte na ruptura desordenada do bloco fez os mercados acionários amargarem fortes perdas no segundo trimestre. No Brasil, o Ibovespa acumulou queda de 23 por cento desde meados de março, quando atingiu o maior patamar do ano.

A economia doméstica também preocupa. "O investidor está mais cauteloso com o Brasil", disse o economista Gustavo Mendonça, da Oren Investimentos. "O país desacelerou muito forte e as perspectivas de longo prazo pioraram muito."

Dentre as blue chips, a preferencial da Vale caiu 2,64 por cento, a 36,88 reais, e a da Petrobras teve queda de 1,15 por cento, a 18,96 reais. OGX perdeu 3,67 por cento, a 5,25 reais.

Bradesco caiu 4,78 por cento, a 29,07 reais, após o resultado do segundo maior banco privado brasileiro ter desapontado o mercado. A instituição reduziu a previsão de crescimento do crédito em 2012.

Quinze dos 67 ativos do Ibovespa fecharam em alta, liderados por LLX, empresa do grupo de Eike Batista, que saltou 12,12 por cento, a 2,59 reais. Fora do índice, a CCX, também de Eike, subiu 11,24 por cento, a 4,75 reais.

Após o fechamento do pregão, a agência de classificação Moody's anunciou que reduziu a perspectiva do rating da Alemanha, estável para negativa, citando crescentes incertezas sobre a crise de dívida na zona do euro.

(Edição de)

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