IBP critica, no Senado, proposta do governo para o pré-sal

Presidente da entidade vê com preocupação a escolha da Petrobrás como operadora única dos campos

Leonardo Goy, da Agência Estado,

08 de setembro de 2009 | 12h00

O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, criticou nesta terça-feira, 8, a proposta do governo de fazer da Petrobrás a operadora única dos campos de produção do pré-sal. "Isso não é bom nem para a Petrobrás", disse de Luca, afirmando que nessa situação haverá uma diminuição da competição e, consequentemente, da inovação tecnológica na produção do pré-sal. "A Petrobrás sempre será líder da indústria, como é hoje. Mas estender a ela a operação única vai limitar o aparecimento de outras empresas", afirmou. Além disso, disse ele, como a Petrobrás terá pelo menos 30% de participação em cada consórcio que vai operar o pré-sal, a estatal corre o risco de ser obrigada a atuar em um campo que não considerar atrativo, tendo de acompanhar os riscos dos investidores que arrematarem aquele bloco.

 

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De Luca também se disse preocupado com o fato de haver um comprador único - no caso a Petrobrás - o que será um problema para os fornecedores de bens e equipamentos, que negociarão com apenas uma única empresa. O IBP também está preocupado com o poder que a nova estatal, que vai gerenciar o pré-sal, a Petro-sal, terá nas decisões dos consórcios privados que arrematarem os blocos. Pela proposta do governo, a Petro-sal terá 50% dos assentos e o poder de veto nos comitês operacionais que vão administrar os consórcios.

 

O vice-presidente da British Petroleum do Brasil, Ivan Simões Filho, ressaltou que a Petro-sal terá esse poder, sem exposição aos riscos a que são submetidas as empresas privadas. "O IBP defende que os investidores, que vão arcar com riscos e investimentos significativos, tenham capacidade de influenciar a forma como seus investimentos serão gerenciados", disse Simões, que participa neste momento, juntamente com De Luca, de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, para debater a proposta do governo para o marco regulatório do pré-sal.

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