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IBP critica Petrobras ser a única operadora do pré-sal

O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos De Luca, criticou severamente o fato de a Petrobras ser a única operadora das áreas exploratórias do pré-sal, de acordo com o novo modelo regulatório para o setor de petróleo no País. "Isso desestimula empresas não só investidoras, quanto fornecedoras", comentou ele, em entrevista à imprensa.

KELLY LIMA, Agencia Estado

31 de agosto de 2009 | 18h24

Este, segundo ele, é o ponto mais crítico entre os apresentados no novo modelo. "A partir do momento em que há apenas um comprador de equipamentos e tecnologia, o mercado fica restrito às decisões desta única empresa. Ou seja, não há troca de tecnologia. Isso é ruim para a empresa e para o desenvolvimento do País. Se várias empresas estivessem atuando, haveria várias fontes para a troca de tecnologia e até várias fontes de geração de empregos", comentou. De Luca evitou dizer que poderia haver uma fuga de investimentos do setor, mas argumentou que este modelo acaba reduzindo a atratividade do setor para quem vem de fora.

Salientando que os executivos do setor precisam "debruçar-se sobre as novas regras para tentar compreendê-las melhor", ele comentou que há uma série de pontos ainda não esclarecidos, entre eles a participação governamental na exploração dos blocos e se haverá condições econômicas para explorá-los. "Tememos que, à medida que vai aumentando a parcela a ser destinada para o governo, a empresa fique sem nada e isso pode tornar a exploração inviável economicamente", comentou.

De Luca evitou falar sobre a distribuição de royalties e a capitalização da Petrobras, que, segundo ele, são assuntos que não dizem respeito às indústrias. "Entendemos a posição do governo de fortalecer a Petrobras e realmente acreditamos que a empresa tem que ser tratada com muito carinho. Já os royalties é uma questão para ser discutida entre eles (governo federal, estadual e municipal). Não nos cabe emitir nenhuma opinião, apenas lembrar que elevar muito os custos das áreas pode inviabilizá-las".

O IBP encaminhou solicitação ao ministro de Minas e Energia para que, agora com a definição do novo marco, seja tratada a continuidade da oitava Rodada de Licitações da ANP, suspensa em 2006, e que sejam retomadas as demais rodadas com áreas fora do pré-sal. De Luca lamentou que o setor privado não tivesse sido ouvido durante a Comissão Interministerial. "Vamos tentar dar nossas contribuições conforme formos acompanhando atentamente as discussões que se desenrolarem no Congresso e no Senado, mas preferíamos que estas discussões com as empresas tivessem ocorrido inicialmente durante a Comissão Interministerial", disse.

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