IBS contesta Giannetti e defende tarifa maior

O Instituto Brasiliro de Siderurgia (IBS) divulgou hoje à noite uma nota rebatendo as declarações dadas pelo secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca. O secretário afirmou hoje que "pessoalmente" é contra a proposta do setor de aumentar as tarifas de importação de aço, como forma de evitar uma "inundação" de produtos siderúrgicos no País em decorrência das medidas adotadas pelo governo dos Estados Unidos. Fonseca disse ainda que as siderúrgicas brasileiras já teriam avisado aos seus clientes que promoverão um reajuste de 10% em seus preços, a partir do momento em que a tarifa for elevada. "Tal informação não procede", afirmam os diretores do IBS. "A relação das siderúrgicas com seus clientes é de longo prazo e as negociações de preços seguem as regras de mercado. Certamente tais negociações não estão atreladas a eventuais situações transitórias do mercado siderúrgico, como a que estamos vivendo, mas sim à relação permanente entre fornecedor e cliente", justificam os representantes do setor siderúrgico brasileiro. "Ademais, o Brasil tem órgãos bem estruturados de defesa da concorrência, que podem e devem ser acionados por qualquer empresa que se sinta prejudicada ou lesada", complementam os diretores do IBS na nota. Os representantes das siderúrgicas brasileiras também afirmam na nota que, apesar da "posição pessoal do secretário Gianetti" - contrário à elevação da tarifa -, eles tem a posição "oficial do governo, nas pessoas dos ministros, embaixadores Celso Lafer e Sérgio Amaral", de que a questão da elevação das alíquotas somente será discutida na próxima reunião da Camex - que será realizada semana que vem - que será precedida de um encontro de representantes do próprio IBS com os mencionados ministros e suas equipes. Giannetti também afirmou hoje que havia um acordo entre ele e as siderúrgicas de que esse pedido de elevação de tarifa não fosse apresentado, pois o governo já adotou medidas para dificultar a entrada de aço no País, por meio de controles mais rigorosos da Receita e da Secex. O Instituto Brasileiro de Siderúrgia (IBS) alega na nota que o pedido de aumento de alíquotas de importação de aço, enviado ao governo na semana passada, foi informado com "antecedência" aos ministros Sérgio Amaral (Desenvolvimento) e Celso Lafer (Relações Exteriores), pela presidente do Instituto, Maria Silvia Bastos Marques. Na nota, o IBS justifica mais uma vez o pedido feito ao governo. "Tal pedido justifica-se pela situação de exceção que vive atualmente o comércio siderúrgico internacional, em que os Estados Unidos elevaram suas alíquotas de importação de produtos acabados para 30% e impuseram quotas para a importação de semi-acabados. Em decorrência desta atitude do governo americano, questionável sob diversos aspectos - inclusive quanto à sua legalidade, à luz da legislação da Organização Mundial do Comércio (OMC)", afirmam. Por essa situação de "exceção" os representantes da siderúrgia brasileira alegam que a elevação "transitória e preventiva" das alíquotas de importação de produtos de aço deve ser tomada como medida de defesa do mercado doméstico, em um momento de total "desorganização" do comércio mundial de aço. "A siderurgia brasileira entende que não pode (Brasil) mais realistas do que o rei?. Principalmente, não podemos ser ingênuos. Em um momento em que um país que se intitula do livre comércio?, como os EUA, adotam medidas fortemente restritivas, com o objetivo claro de dar sobrevida a parcela da siderurgia americana, sabidamente ineficiente e não competitiva, não podemos permitir que o setor siderúrgico brasileiro, altamente competitivo, após dez anos de pesados investimentos privados - sem qualquer tipo de subsídio - e uma forte reestruturação interna das empresas, seja afetado por uma competição que será, com certeza, desleal e predatória, em face do fechamento dos principais mercados de aço do mundo", afirmam.

Agencia Estado,

20 de março de 2002 | 21h21

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